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Áudio revela promessa de operador ligado a Padilha para aproximar Vorcaro do Banco do Brasil

Mensagens atribuídas a investigação da Polícia Federal apontam tentativa de articulação para captar R$ 10 bilhões de fundos de pensão estatais; eventual participação de autoridades ainda depende de comprovação.

Uma série de mensagens e um áudio atribuídos a materiais de investigação da Polícia Federal colocam em evidência uma suposta articulação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e um operador apontado como próximo ao ministro Alexandre Padilha.

Segundo as informações divulgadas, o objetivo seria abrir canais de interlocução com o Banco do Brasil e facilitar o acesso a fundos de pensão ligados a empresas estatais, em uma operação que poderia alcançar R$ 10 bilhões.

Promessa de aproximação com o Banco do Brasil

O ponto central da denúncia é um áudio no qual o suposto intermediário teria prometido facilitar o contato de Vorcaro com representantes do Banco do Brasil.

A iniciativa faria parte de uma estratégia mais ampla para buscar recursos de investidores institucionais, especialmente entidades de previdência complementar vinculadas ao setor público.

A existência de contatos e negociações, entretanto, não significa necessariamente que os recursos tenham sido liberados ou que alguma operação financeira tenha sido efetivamente concluída.

Ligação com Padilha exige esclarecimentos

A referência ao ministro Alexandre Padilha amplia a repercussão política do episódio, mas é necessário distinguir uma relação pessoal ou política com o suposto operador de eventual participação direta do ministro nas tratativas.

Até que sejam apresentados elementos adicionais, não é possível afirmar que Padilha tenha autorizado, participado ou tomado conhecimento das negociações atribuídas ao intermediário.

Mais de 450 mensagens e 180 telefonemas

De acordo com o material divulgado neste sábado (10), a Polícia Federal identificou mais de 450 mensagens e 180 registros de chamadas entre Vorcaro e o consultor Júlio Cezar, apontado como intermediário nas negociações.

Em uma gravação de maio de 2024, Júlio teria informado que buscava agilizar uma reunião com Henrique Jäger, então presidente da Petros. Na mesma conversa, perguntou sobre o andamento das tratativas envolvendo o Banco do Brasil e afirmou que poderia colocar Vorcaro em posição favorável para avançar nas negociações.

Suspeita de R$ 1 bilhão em propinas

Segundo relatos atribuídos a Vorcaro, os intermediários teriam exigido uma comissão ilícita de 10% sobre os valores captados pelo Banco Master junto aos fundos de pensão.

Caso a meta de R$ 10 bilhões fosse alcançada, a suposta cobrança representaria R$ 1 bilhão em propinas. A acusação, porém, depende de comprovação, e não há demonstração de que esse montante tenha sido efetivamente pago.

Entre as entidades mencionadas nas negociações estão Petros, Postalis, Funcef e Previ, ligadas respectivamente à Petrobras, aos Correios, à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil.

Ministro contesta acusações

Alexandre Padilha contestou publicamente as acusações relacionadas ao caso Vorcaro, classificando parte das denúncias como uma iniciativa política da oposição. Também surgiram questionamentos sobre a origem e a autenticidade de gravações divulgadas no contexto das supostas negociações.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República contestaram alegações relacionadas a outros áudios atribuídos ao banqueiro, especialmente sobre supostos pagamentos para um documentário sobre o presidente Lula.

O episódio amplia os questionamentos sobre as tentativas de aproximação do Banco Master com dirigentes de fundos de previdência estatais. Até o momento, as informações disponíveis não permitem concluir que o plano de captação tenha sido executado ou que todos os envolvidos nas conversas tenham participado de irregularidades.

Da redação Mídia News Campo Grande

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