MSNotícias

“Touca maluca” leva alegria e acolhimento a pais de bebês internados no Hospital Regional de MS

Inspirada na brincadeira do “cabelo maluco”, atividade realizada na Unidade Neonatal proporciona momentos de descontração e fortalece os vínculos familiares durante a internação

A rotina de preocupação, ansiedade e esperança vivida por famílias de bebês internados ganhou um momento especial de criatividade e descontração no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande. A equipe multidisciplinar da Unidade Neonatal promoveu uma oficina de confecção de “toucas malucas”, inspirada na tradicional brincadeira do “cabelo maluco”, bastante popular durante as comemorações do mês das crianças.

A iniciativa teve como objetivo proporcionar momentos de acolhimento, interação e alívio emocional aos pais que acompanham seus filhos durante o período de internação hospitalar.

Atividade ajuda famílias a enfrentar desafios da internação

A terapeuta ocupacional Grazielle F. Malheiros Rodrigues explica que o trabalho desenvolvido na unidade vai além dos cuidados com o desenvolvimento dos recém-nascidos, incluindo também a atenção à saúde emocional das famílias.

“Por isso, realizamos semanalmente grupos terapêuticos com as mães, por meio de atividades expressivas, lúdicas e criativas, promovendo interação, troca de experiências e momentos de descontração durante a internação”, explicou.

Segundo a profissional, cuidar emocionalmente dos responsáveis também contribui para o desenvolvimento infantil.

“Quando cuidamos de quem cuida, também fortalecemos o vínculo entre mãe e bebê, tão importante para o desenvolvimento infantil”, destacou.

Mães compartilham experiências e encontram momentos de alegria

Entre as participantes estava a designer de sobrancelhas Ketelly Vitória, de 20 anos, mãe da pequena Catarina, que nasceu prematuramente em 12 de agosto, com apenas 29 semanas de gestação.

Desde o nascimento, a bebê permanece internada no HRMS, tendo passado pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI), pela Unidade Intermediária e, mais recentemente, pela Unidade Canguru.

Para Ketelly, atividades recreativas representam uma oportunidade de aliviar a tensão acumulada durante os dias de acompanhamento hospitalar.

“Tem dias mais complicados, tem diagnóstico ruim, exame difícil. E, nessas horas, o desespero bate, mas tenho tentado me manter calma, porque ela precisa de mim. Achei maravilhoso fazer a touca maluca. O hospital em si já é um ambiente pesado e essas atividades salvam a gente. Nos desligam de tudo que estamos vivendo”, relatou.

Outra participante foi Angélica Ferreira Rossete, de 35 anos, mãe de uma menina de oito anos e do recém-nascido José Lucas, internado havia dez dias.

Para confeccionar a touca do filho, Angélica escolheu cores vibrantes, buscando transformar simbolicamente os momentos difíceis em uma experiência mais alegre.

“Distrai bastante a gente, porque, às vezes, ficamos mais para baixo. Serve para distrair e a gente ver que tudo é passageiro”, afirmou.

Pais também participam e fortalecem laços

A atividade também contou com a participação dos pais. O gesseiro Wanderson Miranda da Silva, de 34 anos, confessou que inicialmente ficou inseguro sobre sua habilidade para produzir a touca.

“Na hora que ela falou, fiquei desconfiado, pensando se ia dar conta”, contou.

Entretanto, a preocupação desapareceu quando a oficina começou.

“Foi bem divertido. Fica todo mundo conversando, e a gente já foi fazendo amizade”, relembrou.

Além de estimular a criatividade, a iniciativa favoreceu a aproximação entre famílias que enfrentam situações semelhantes durante a internação dos filhos.

Presença dos pais contribui para recuperação dos bebês

A médica neonatologista Bianca Stavis Conte ressalta que a participação dos responsáveis nos cuidados diários é fundamental para o processo de recuperação dos recém-nascidos.

Entre as práticas incentivadas estão a retirada do leite materno, a troca de fraldas com orientação profissional e o Método Canguru, caracterizado pelo contato pele a pele entre o bebê e seus responsáveis.

“Quanto maior a presença dos pais, a recuperação tende a ser mais rápida”, explicou a médica.

Segundo Bianca, iniciativas como a oficina de toucas malucas também permitem que as mães expressem sentimentos, compartilhem experiências e enfrentem com mais tranquilidade os desafios emocionais da hospitalização.

Para a terapeuta ocupacional Grazielle Rodrigues, o resultado da atividade demonstra a importância de humanizar o ambiente hospitalar.

“É gratificante ver as mães participando, interagindo, sorrindo e compartilhando experiências”, concluiu.

A experiência reforça que o cuidado neonatal envolve não apenas procedimentos médicos e acompanhamento especializado, mas também atenção, acolhimento e fortalecimento dos vínculos afetivos entre os bebês e suas famílias.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo