
A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada no Carnaval do Rio de Janeiro após terminar na última colocação entre as 12 agremiações do Grupo Especial. A apuração ocorreu nesta quarta-feira (18), na Marquês de Sapucaí, consolidando o retorno da escola à Série Ouro em 2027.
Em sua estreia na elite do samba carioca, a agremiação somou 264,6 pontos, ficando quase três pontos atrás da penúltima colocada, a Mocidade Independente de Padre Miguel, que obteve 267,4. Desde o primeiro quesito, comissão de frente, a escola já figurava na última posição e não conseguiu se recuperar ao longo da leitura das notas.
Enredo sobre Lula marcou desfile
A Acadêmicos de Niterói levou para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O samba-enredo contou com a assinatura de compositores como Teresa Cristina, André Diniz e Arlindinho.
A escola foi a primeira a desfilar na noite de domingo (15), abrindo as apresentações do Grupo Especial. A campeã do Carnaval foi a Unidos do Viradouro, também sediada em Niterói.
Críticas e questionamentos políticos
O desfile gerou forte repercussão política. Parlamentares e partidos criticaram o enredo, classificando a homenagem como possível propaganda eleitoral antecipada, especialmente por ocorrer em um ano pré-eleitoral e com transmissão nacional.
O senador Flávio Bolsonaro anunciou a intenção de acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a escola. Durante a apresentação, a agremiação também fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado de forma satírica.
Além do meio político, o desfile provocou reações de grupos religiosos, especialmente evangélicos, que criticaram o conteúdo apresentado na avenida.
Recursos públicos entram no debate
A controvérsia teve início ainda antes do Carnaval, quando a escola recebeu autorização para captar até R$ 5 milhões via Lei Rouanet. Posteriormente, o governo federal destinou R$ 12 milhões às escolas do Grupo Especial, sendo R$ 1 milhão para cada agremiação, incluindo a Acadêmicos de Niterói.
O repasse foi questionado pelo Partido Novo junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que chegou a sugerir o bloqueio dos recursos. A recomendação, no entanto, não foi acatada. Já o TSE decidiu manter o desfile, mesmo diante das representações por suposta propaganda eleitoral antecipada.
Nos bastidores, integrantes do governo e do Partido dos Trabalhadores avaliaram que a repercussão do desfile acabou tendo impacto negativo para a imagem do presidente.
Da redação Mídia News





