
A pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul do advogado e ex-deputado federal Fábio Trad (PT) tem suscitado críticas não apenas por sua trajetória política interna, mas também pela forma como se insere em debates internacionais de grande impacto, como a recente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Nos primeiros dias deste mês, uma operação militar liderada pelo governo americano resultou na captura de Maduro e de sua esposa, um episódio que repercutiu intensamente no cenário político de toda a América Latina e provocou debates sobre soberania, direito internacional e interesses geopolíticos — com diferentes setores brasileiros reagindo de maneiras opostas ao acontecimento.
Enquanto setores de direita elogiaram a ação estrangeira como um passo contra regimes autoritários, importantes lideranças da esquerda — incluindo membros do Partido dos Trabalhadores e parlamentares de Mato Grosso do Sul — qualificaram o episódio como uma grave violação à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a região.
Nesse ambiente polarizado, Fábio Trad alinhou-se com a leitura crítica que reprova a intervenção dos Estados Unidos, ecoando argumentos de que o real interesse por trás da captura seria a tentativa de controle sobre as vastas reservas de petróleo venezuelanas, e não a promoção de uma transição democrática legítima.
Críticos, porém, afirmam que essa postura revela contradições latentes na sua pré-candidatura. Ao adotar narrativas amplas sobre soberania e imperialismo, Trad confronta diretamente um segmento do eleitorado intrinsecamente ligado ao agronegócio, à defesa da ordem institucional e à proteção das fronteiras brasileiras — temas centrais para Mato Grosso do Sul. Para esses analistas, focalizar um debate internacional complexo sem apresentar respostas concretas às necessidades imediatas da população estadual pode soar desconectado da realidade local.
Somam-se a isso questionamentos sobre a própria trajetória política de Trad, marcada por idas e vindas partidárias e resultados práticos tímidos em mandatos anteriores, o que eleva a crítica de que sua candidatura ainda carece de substância e clareza programática. Além disso, a associação com temas de política externa sem plano definido para traduzir esse discurso em benefícios reais para o Estado tem sido apontada como um risco eleitoral e de comunicação.
À medida que o processo eleitoral avança, suas declarações sobre a Venezuela e outras questões de política externa serão cada vez mais escrutinadas, especialmente por eleitores que buscam respostas concretas sobre segurança pública, desenvolvimento econômico e governança em Mato Grosso do Sul. Fica claro que, sem uma estratégia que vá além de posicionamentos ideológicos e abarque propostas operacionais, o pré-candidato enfrenta um desafio substancial para convencer o eleitorado sul-mato-grossense de que pode governar com efetividade.
Da redação Mídia News





