
A investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou novos desdobramentos após a divulgação de um recado atribuído à lobista Roberta Luchsinger, apontada em apurações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo relatos publicados pela revista Veja, a investigada teria enviado uma mensagem, por meio de um intermediário, a um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando proteção política e alertando que “não cairá sozinha”.
De acordo com a reportagem, a mensagem foi interpretada como um sinal de preocupação diante do avanço das investigações. A lobista mantém relação de amizade com o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República. Ele vive atualmente na Espanha e também passou a ser mencionado em documentos analisados pelas autoridades.
Investigações avançam e decisão do STF gera impasse
O episódio ocorre em meio a movimentações judiciais e políticas relacionadas às investigações sobre possíveis fraudes no sistema previdenciário. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, rejeitou um pedido da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para quebrar o sigilo de Roberta Luchsinger.
A decisão foi tomada apesar de existir determinação anterior do ministro André Mendonça autorizando o acesso a dados relacionados à investigada. O desencontro entre as decisões ocorreu no momento em que parlamentares buscam ampliar o acesso a informações financeiras e documentais ligadas ao caso.
PF aponta atuação em núcleo político de esquema investigado
De acordo com informações reunidas pela Polícia Federal, Roberta Luchsinger teria atuado no chamado núcleo político de um grupo investigado por fraudes vinculadas ao INSS. A organização criminosa seria liderada por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo os investigadores, a lobista teria desempenhado papel relevante em movimentações financeiras do grupo e participado da gestão de empresas que teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio.
As investigações também já resultaram em medidas judiciais. Em dezembro de 2025, agentes da Polícia Federal cumpriram um mandado de busca e apreensão em um imóvel ligado à investigada no bairro de Higienópolis, região nobre da cidade de São Paulo.
Nome de Lulinha aparece em depoimentos e documentos
Nos autos da investigação conduzida pela Polícia Federal, o nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece citado em três ocasiões. Um ex-sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes afirmou aos investigadores que Lulinha teria participado, ao lado de Roberta Luchsinger, de um projeto envolvendo cannabis medicinal.
O depoimento também menciona um suposto recebimento de R$ 25 milhões em um negócio relacionado à comercialização de kits de dengue, além de citar a existência de uma suposta mesada de R$ 300 mil.
Outro ponto analisado pelos investigadores envolve registros de viagens aéreas. A Polícia Federal identificou passagens emitidas com o mesmo localizador para Lulinha e Roberta Luchsinger, o que, segundo os agentes, indicaria proximidade entre ambos.
Atualmente, o filho do presidente também é alvo de apuração no âmbito da CPMI do INSS. O colegiado aprovou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, ampliando o alcance das investigações.
Da redação Mídia News





