
As declarações do assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, provocaram reações políticas e diplomáticas nesta segunda-feira (2), após comentar a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Ao se manifestar sobre o episódio, Amorim classificou a ação como “condenável e inaceitável”, mas evitou críticas diretas ao regime iraniano, o que gerou questionamentos entre analistas e opositores do governo.
Em entrevista à GloboNews, o assessor afirmou que “ninguém é juiz do mundo” e defendeu que o Brasil deve se preparar “para o pior” diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo ele, a eliminação de um chefe de Estado em exercício representa um precedente preocupante no cenário internacional.
Ao detalhar o que considera o “pior”, Amorim mencionou o risco de ampliação do conflito e destacou que o Irã historicamente fornece armamento a grupos xiitas em outros países, além de apoiar organizações consideradas radicais. Ainda assim, não houve menção direta a críticas ao regime iraniano ou ao histórico de violações de direitos humanos atribuídas ao governo de Teerã.
A postura foi interpretada por críticos como desequilibrada, sobretudo diante da firme condenação direcionada às ações militares de Estados Unidos e Israel. O posicionamento ocorre em um momento sensível da agenda diplomática brasileira, às vésperas de um encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, em Washington.
Amorim reconheceu a complexidade do cenário e afirmou que é necessário equilíbrio entre “verdade e conveniência” para manter a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade internacional do país. O assessor informou ainda que discutiria o tema com o presidente para alinhar a estratégia diplomática diante da crise.
Antes das declarações, o Ministério das Relações Exteriores já havia divulgado nota oficial condenando os ataques realizados contra alvos no Irã. O comunicado ressaltou preocupação com a escalada das hostilidades e defendeu que a negociação é o único caminho viável para a paz, além de apelar pelo respeito ao Direito Internacional e pela máxima contenção das partes envolvidas.
A manifestação do governo brasileiro insere o país no centro de um debate diplomático delicado, em meio a um cenário internacional marcado por instabilidade crescente e disputas geopolíticas intensas.
Da redação Mídia News





