
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta segunda-feira (23) que o Supremo Tribunal Federal (STF) não está “acima do bem e do mal”, ao defender que a Corte, assim como qualquer instituição pública, deve estar sujeita a críticas.
A declaração foi concedida durante entrevista à Rádio Nacional, no programa apresentado pelo jornalista José Luiz Datena. A fala ocorre em meio à repercussão de investigações que envolvem supostos vínculos de ministros do STF com o Banco Master, instituição financeira alvo de apurações por possíveis irregularidades.
Segundo Boulos, o papel do Supremo foi fundamental para a preservação da democracia em momentos de instabilidade política recente, mas isso não impede questionamentos. “Isso não quer dizer que o Supremo ou qualquer outra instituição esteja acima do bem e do mal”, afirmou.
Proposta de mudança na jornada de trabalho
Durante a entrevista, o ministro também abordou a proposta do governo federal de alterar o modelo de jornada de trabalho no país. A principal mudança em discussão é o fim da escala 6×1, substituindo-a pelo regime 5×2 — com dois dias de descanso semanal.
De acordo com Boulos, a meta do governo é aprovar a medida até junho. A proposta prevê ainda a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
O ministro citou estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e experiências internacionais para sustentar a proposta. Segundo ele, a ampliação do tempo de descanso pode resultar em aumento de produtividade e melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores.
Comentário sobre episódio eleitoral
Boulos também relembrou o episódio envolvendo Pablo Marçal e Datena durante um debate das eleições municipais de 2024, quando o apresentador agrediu o adversário com uma cadeira.
Os três participaram da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Boulos chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo atual prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Ao comentar o episódio, o ministro disse a Datena que a atitude “lavou a alma do povo brasileiro”, em referência à repercussão do caso à época.
A entrevista reuniu temas institucionais, propostas trabalhistas e episódios recentes da política nacional, ampliando o debate sobre o papel das instituições e as estratégias do governo em um cenário de articulações pré-eleitorais.
Da redação Mídia News





