
O Brasil iniciou 2026 com um cenário de atenção nas contas externas. Em janeiro, o país registrou déficit em conta-corrente de US$ 8,36 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central. O resultado ficou acima das projeções do mercado, que estimavam um saldo negativo entre US$ 6,6 bilhões e US$ 7,7 bilhões.
Na comparação com dezembro de 2025, quando o déficit foi de US$ 3,36 bilhões, houve uma piora significativa, indicando aumento da pressão logo no início do ano. Em relação a janeiro do ano anterior, quando o rombo chegou a US$ 9,8 bilhões, houve leve melhora, mas o patamar ainda é considerado elevado.
Apesar da deterioração mensal, o acumulado em 12 meses apresentou recuo, passando de 3,03% para 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB), o menor nível desde novembro de 2024. Ainda assim, especialistas apontam que o país mantém um desequilíbrio estrutural nas contas externas.
O principal fator por trás desse cenário é a incapacidade do superávit comercial de compensar as perdas nas contas de serviços e renda primária. Em janeiro, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 3,516 bilhões. No entanto, esse resultado foi neutralizado por déficits de US$ 3,972 bilhões em serviços e de US$ 8,312 bilhões em renda primária, que inclui remessas de lucros e pagamento de juros ao exterior.
A conta financeira também apresentou resultado negativo, totalizando US$ 8,227 bilhões no período, reforçando o quadro de saída líquida de recursos do país.
Para 2026, o Banco Central projeta um déficit em conta-corrente de US$ 60 bilhões, equivalente a 2,4% do PIB. A estimativa considera um superávit comercial de US$ 64 bilhões, mas prevê déficits elevados em serviços (US$ 51 bilhões) e renda primária (US$ 78 bilhões), mantendo a dependência de financiamento externo.
Outro ponto de atenção é o avanço da dívida externa bruta, que atingiu US$ 397,48 bilhões em janeiro, ante US$ 386,09 bilhões em dezembro. Desse total, US$ 277,7 bilhões correspondem a compromissos de longo prazo, enquanto US$ 119,7 bilhões são dívidas de curto prazo.
O cenário indica que, apesar de algum alívio na comparação anual, o Brasil segue enfrentando um déficit estrutural nas contas externas, com aumento do endividamento e necessidade contínua de atração de capital estrangeiro ao longo de 2026.
Da redação Mídia News





