
Os gastos públicos no Brasil ultrapassaram a marca de R$ 500 bilhões ainda no primeiro mês de 2026, segundo dados atualizados da plataforma Gasto Brasil, ferramenta que monitora em tempo real as despesas realizadas pelos entes públicos nas três esferas de governo. O volume expressivo foi registrado já nos primeiros dias do ano eleitoral e reforça preocupações quanto à sustentabilidade fiscal e ao ritmo de expansão do gasto público.
De acordo com o levantamento, até as 14h30 da segunda-feira, 2 de fevereiro, o total acumulado de despesas públicas atingia R$ 514,8 bilhões. Desse montante, R$ 209 bilhões correspondem aos gastos do governo federal, R$ 145,5 bilhões às administrações estaduais e R$ 160,3 bilhões às prefeituras. Os números incluem despesas com folha de pagamento e encargos sociais, investimentos, obras, compras públicas, aquisição de ativos e demais gastos correntes da administração.
A média diária de desembolso ao longo de janeiro superou R$ 16 bilhões, o que equivale a cerca de R$ 670 milhões por hora, indicando um ritmo elevado logo no início do ano. Caso essa velocidade seja mantida, a projeção aponta para um cenário de forte pressão sobre o orçamento público até dezembro.
A plataforma Gasto Brasil foi desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) com o objetivo de ampliar a transparência e permitir o acompanhamento contínuo das despesas públicas por parte da sociedade. A entidade alerta que, mantido o atual patamar de gastos, o total pode ultrapassar R$ 6 trilhões até o fim de 2026.
O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, defende a necessidade de maior equilíbrio fiscal sem prejuízo ao crescimento econômico. Segundo ele, o desafio dos gestores públicos é controlar despesas obrigatórias, melhorar a eficiência administrativa e ampliar a arrecadação sem impor entraves adicionais à atividade produtiva. “O Estado brasileiro precisa custar menos para abrir espaço aos investimentos e ao desenvolvimento”, afirmou.
Especialistas e representantes do setor produtivo acompanham com atenção a evolução dos números, sobretudo em um ano marcado por eleições e por demandas crescentes em áreas sensíveis do orçamento. O comportamento das despesas ao longo dos próximos meses será determinante para o debate sobre responsabilidade fiscal, credibilidade econômica e capacidade de investimento do poder público em 2026.
Da redação Midia News





