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Fortuna de Nelson Tanure em paraíso fiscal pode chegar a R$ 15 bilhões, aponta investigação

Apurações indicam patrimônio no exterior, suspeitas de fraudes fiscais e vínculos com o Banco Master; STF determinou bloqueio de bens

Um levantamento divulgado pelo jornal Metrópoles revelou que o empresário Nelson Tanure mantém uma fortuna estimada em até R$ 15 bilhões em paraísos fiscais na Europa. As informações surgem no contexto de investigações conduzidas pela Polícia Federal que apuram possíveis irregularidades fiscais e financeiras relacionadas ao Banco Master, instituição com a qual o empresário teria mantido vínculos indiretos.

De acordo com a apuração, Tanure teria transferido seu domicílio fiscal para fora do Brasil e passado a operar por meio da Trustee Holding Financeira, empresa utilizada como estrutura de representação de investidores estrangeiros. O modelo permitiria a movimentação de grandes volumes de recursos sem identificação direta do beneficiário final no país, o que levanta questionamentos sobre a origem e o destino do patrimônio.

A expansão da fortuna do empresário estaria associada a uma série de investimentos estratégicos, especialmente no setor de energia. Um dos principais ativos é a Prio, antiga PetroRio, considerada peça central na estratégia de crescimento de Tanure. Apesar do potencial de valorização, parte desses investimentos envolve empresas em situação financeira delicada, o que aumenta o grau de risco das operações.

As suspeitas ganharam força durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, quando a Polícia Federal passou a monitorar os bens do empresário. O inquérito investiga um possível esquema de fraude fiscal envolvendo o Banco Master, com prejuízos estimados em até R$ 12 bilhões. Como medida cautelar, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens ligados a Tanure, sem divulgar os valores atingidos.

As investigações apontam que o empresário teria aportado cerca de R$ 2,5 bilhões no Banco Master ao longo de quatro anos. Apesar disso, sua defesa afirma que ele nunca integrou o quadro societário da instituição, sustentando que atuou apenas como cliente e investidor.

O relacionamento entre Tanure e o banco teria sido intermediado por Maurício Quadrado, controlador da Trustee Holding, com quem o empresário mantém relação desde os tempos em que ambos atuavam no Bradesco. Quadrado teria levado Tanure para o projeto do Banco Master, então focado em operações de varejo e crédito. Posteriormente, divergências internas levaram ao afastamento de executivos, mas as operações continuaram.

Outro ponto sob apuração envolve a aquisição da Emae, empresa do setor de energia e saneamento. A negociação teria utilizado ações da Ambipar como garantia, papéis que registraram valorização de até 800% em curto espaço de tempo, seguida por forte queda — movimento que passou a ser analisado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

As investigações também apontam conexões políticas envolvendo ex-dirigentes do banco e figuras influentes no cenário nacional, o que elevou o nível de atenção das autoridades. Até o momento, Tanure nega qualquer irregularidade e afirma colaborar com as apurações.

Da redação Mídia News

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