
Cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais foram transferidos por cinco tribunais de Justiça para o Banco de Brasília (BRB), segundo informou o presidente da instituição, Nelson Antonio de Souza. A movimentação, que gerou questionamentos no mercado financeiro e no meio jurídico, levou o dirigente a visitar pessoalmente as cortes envolvidas para assegurar que os recursos estão preservados e não sofrem qualquer impacto decorrente da crise enfrentada pelo Banco Master.
De acordo com o BRB, as transferências fazem parte de operações regulares e seguem critérios de segurança, governança e conformidade. “Todos os depósitos judiciais estão protegidos e não correm risco. É uma operação normal de mercado, sem relação com o Master”, afirmou Nelson de Souza em entrevista ao portal Metrópoles, destacando que o banco permanece sólido do ponto de vista financeiro e institucional.
Os valores transferidos envolvem recursos dos Tribunal de Justiça do Maranhão, Tribunal de Justiça da Bahia, Tribunal de Justiça da Paraíba, Tribunal de Justiça de Alagoas e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Segundo o presidente do BRB, os aportes obedecem a parâmetros técnicos e não representam risco aos jurisdicionados.
Apesar das garantias, uma das operações chamou atenção no Maranhão. Reportagem revelou que desembargadores do Tribunal de Justiça local teriam sido surpreendidos com a transferência de aproximadamente R$ 2,8 bilhões do Banco do Brasil para o BRB, decisão atribuída de forma unilateral ao então presidente da corte, Foz Sobrinho. Após a divulgação, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou procedimento para apurar a conduta do magistrado e verificar a regularidade do ato.
Paralelamente, Nelson de Souza esteve em São Paulo, na região da Faria Lima, onde participou de reuniões com investidores e instituições financeiras para negociar a venda de carteiras do Banco Master. Segundo ele, as conversas evoluíram de forma mais positiva do que o esperado inicialmente. O executivo reforçou, contudo, que essas negociações não afetam, em hipótese alguma, os depósitos judiciais sob custódia do BRB.
A crise envolvendo o BRB e o Banco Master teve início após o banco brasiliense assumir carteiras de crédito e operações estruturadas da instituição paulista, o que gerou dúvidas sobre liquidez e qualidade de ativos. O BRB chegou a apresentar proposta de compra do Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central do Brasil, diante de suspeitas de ingerência política.
Em nota e em declarações públicas, o BRB reafirma que todas as operações seguem práticas regulares de mercado, contam com garantias e não comprometem depósitos judiciais nem recursos sob custódia do Judiciário.
Da redação Mídia News




