O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, recebeu ao menos R$ 5,25 milhões do Banco Master enquanto já exercia funções no alto escalão do governo federal. O valor faz parte de um contrato de consultoria que totalizou R$ 6,5 milhões e permaneceu ativo mesmo após a posse do ministro, em janeiro de 2024. As informações foram reveladas pela jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles.
De acordo com a reportagem, Lewandowski foi contratado pelo Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, para prestar serviços de “consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. O contrato foi firmado em agosto de 2023, com remuneração mensal de R$ 250 mil, e seguiu vigente até setembro de 2025, período em que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal já comandava o Ministério da Justiça.
A manutenção do vínculo chama atenção pelo fato de Lewandowski, à frente da pasta, ser o superior hierárquico da Polícia Federal — órgão que atua diretamente na fiscalização de crimes financeiros e na investigação de instituições bancárias. Mesmo diante desse cenário, o acordo não foi suspenso, permanecendo ativo por cerca de 21 meses após sua posse.
Outro ponto destacado pela apuração é o papel político na intermediação do contrato. Segundo a reportagem, a contratação teria ocorrido a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT). O mesmo parlamentar também teria participado da articulação que levou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega a firmar contrato com o banco.
Ao assumir o cargo no governo federal, Lewandowski deixou formalmente o escritório de advocacia que mantinha com dois de seus filhos. Ainda assim, o contrato com o Banco Master permaneceu em vigor, e o ministro chegou a integrar o Comitê Estratégico da instituição financeira, embora tenha participado de apenas duas reuniões ao longo de todo o período.
A revelação reacendeu debates sobre conflito de interesses, transparência e limites éticos na relação entre agentes públicos e o setor privado. Especialistas em governança pública apontam que, embora a contratação não seja automaticamente ilegal, a manutenção de vínculos financeiros com empresas privadas enquanto se ocupa cargo estratégico no governo pode comprometer a confiança institucional e levantar questionamentos sobre a imparcialidade das decisões administrativas.
O caso ocorre em meio ao aumento da pressão por maior rigor na fiscalização de autoridades públicas e amplia o debate sobre a necessidade de regras mais claras para evitar situações que possam comprometer a integridade da administração federal.
Da redação Midia News





