
O ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relator da ação que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por abuso de poder político, se tornou o centro das atenções. Isso porque, em 2018, Gonçalves foi o mesmo que, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), votou a favor da soltura do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso em Curitiba.
Na época, Lula estava preso na Operação Lava Jato, condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no caso do tríplex do Guarujá. A defesa do petista pedia a revogação da prisão preventiva, alegando que a execução da pena só deveria começar após o esgotamento de todos os recursos. O STJ, no entanto, negou o pedido de habeas corpus, mas o voto de Benedito Gonçalves a favor de Lula surpreendeu muitos, por ir contra a tendência da maioria.
Agora, na semana passada, o ministro Benedito Gonçalves, como relator do caso de Bolsonaro, foi o autor do voto que resultou na condenação do ex-presidente, tornando-o inelegível por oito anos. A decisão, que gerou um intenso debate público, se baseou na reunião de Bolsonaro com embaixadores em 2022, na qual o ex-presidente questionou a segurança das urnas eletrônicas. A postura de Benedito Gonçalves nos dois casos, envolvendo os dois maiores expoentes da política brasileira, gera repercussão e reforça o debate sobre o papel do judiciário nas decisões políticas.
Da redação Midia News

