O economista e escritor Eduardo Gianetti, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), defendeu a abertura de um debate institucional sobre a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de questionamentos relacionados ao caso do Banco Master.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual o economista afirmou estar “estarrecido” com a proximidade entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo envolvendo a instituição financeira.
Segundo Gianetti, os episódios revelados por reportagens e investigações levantam questionamentos relevantes sobre possíveis conflitos de interesse dentro da mais alta corte do país. Para ele, a gravidade dos fatos justificaria a discussão sobre mecanismos institucionais de responsabilização de magistrados.
“São dois casos da maior gravidade”, afirmou o economista durante a entrevista. “A questão do impeachment de ministro do Supremo é pertinente nesses dois casos”, acrescentou.
Questionamentos sobre atuação no caso
Gianetti criticou especialmente o fato de Dias Toffoli ter aceitado a relatoria de questões relacionadas ao Banco Master. Reportagens citadas na entrevista apontam que o ministro teria participação societária em empresa que teria sido beneficiada em operações ligadas ao banco.
O economista também mencionou pagamentos feitos pelo Banco Master ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Para ele, situações dessa natureza deveriam acionar mecanismos mais rigorosos de impedimento e análise ética dentro do Supremo.
Na avaliação de Gianetti, casos com esse tipo de potencial conflito de interesse exigem maior transparência institucional para preservar a credibilidade do Judiciário.
Avaliação sobre o Banco Central
Durante a entrevista, o economista também comentou a atuação do Banco Central do Brasil no caso. Segundo ele, a autoridade monetária teria resistido a pressões para autorizar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
Para Gianetti, a decisão evitou que prejuízos decorrentes da gestão do banco fossem transferidos à sociedade.
“No balanço geral, acredito que o Banco Central cumpriu seu papel, porque o esquema estava montado para jogar para o contribuinte o rombo produzido por essa gestão fraudulenta e temerária”, declarou.
Debate sobre o tamanho do prejuízo
O economista também questionou estimativas divulgadas sobre o possível prejuízo do caso, que algumas análises apontam em cerca de R$ 40 bilhões. Segundo ele, parte desse valor estaria associada à desvalorização de ativos e não necessariamente a desvios diretos de recursos.
Para Gianetti, embora a situação seja grave, parte dos ativos ainda poderia ser utilizada para ressarcir investidores prejudicados.
Defesa de regras éticas mais rígidas
Apesar das críticas aos ministros, Gianetti ressaltou que já apoiou iniciativas conduzidas por Alexandre de Moraes nos processos relacionados aos Ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.
Na avaliação do economista, a oposição política tem misturado o debate sobre esses episódios com as suspeitas envolvendo o Banco Master. Ainda assim, ele defende a criação de códigos de ética mais rigorosos para ministros do STF.
Entre as propostas citadas estão regras mais claras sobre conflitos de interesse, impedimentos formais e mecanismos de transparência que reduzam questionamentos sobre a imparcialidade em decisões sensíveis da Corte.
De acordo com Gianetti, medidas desse tipo seriam importantes para fortalecer a credibilidade institucional do Supremo Tribunal Federal e evitar que episódios semelhantes gerem novas controvérsias no sistema judicial brasileiro.
Da redação Mídia News





