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Esquerda articula na Câmara para impedir redução da maioridade penal para 16 anos

Deputados de partidos progressistas pressionam para retirar trecho da PEC da Segurança Pública que prevê mudança na idade penal em casos de crimes violentos

A discussão sobre a redução da maioridade penal voltou ao centro do debate político no Congresso Nacional nesta semana, durante a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na Câmara dos Deputados. O tema tem provocado forte divisão entre parlamentares e mobilizado especialmente partidos de esquerda, que buscam impedir a inclusão da medida no texto final da proposta.

A PEC está em fase avançada de análise em uma comissão especial da Câmara e prevê, entre outros pontos, a possibilidade de reduzir de 18 para 16 anos a idade penal em casos de crimes considerados graves, como homicídio e estupro. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de parlamentares ligados ao campo progressista.

O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) afirmou que partidos como PT e PCdoB estão atuando para retirar o dispositivo da proposta antes que o texto siga para votação no plenário da Câmara. Segundo ele, a mudança é considerada inaceitável por esses partidos, que defendem a manutenção do limite atual de responsabilização penal.

De acordo com o parlamentar, houve tentativa de negociação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a retirada do trecho que trata da redução da maioridade penal. Tarcísio Motta relatou que o presidente da Casa teria indicado a possibilidade de dialogar com o relator da PEC, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), em busca de um consenso antes da votação.

Apesar disso, Mendonça Filho afirmou que não recebeu qualquer solicitação formal para retirar o tema do relatório apresentado à comissão especial.

Mesmo diante da mobilização da esquerda, Tarcísio Motta reconheceu que o grupo enfrenta dificuldades para reunir votos suficientes para barrar a proposta diretamente no plenário. Diante desse cenário, parlamentares contrários à medida buscam negociar a retirada do dispositivo ainda na fase de tramitação da comissão.

O relator da PEC, por sua vez, defende a manutenção da proposta no texto. Mendonça Filho argumenta que o Brasil estaria fora de um padrão internacional ao manter a maioridade penal em 18 anos, citando legislações de países que adotam regras mais rígidas para crimes cometidos por adolescentes.

Segundo ele, a alteração poderia contribuir para reduzir o recrutamento de menores por organizações criminosas, uma vez que, atualmente, adolescentes envolvidos em crimes graves cumprem medidas socioeducativas e, após o cumprimento da pena, não mantêm registro criminal formal.

A proposta também prevê que jovens condenados por crimes violentos cumpram pena em unidades separadas, distintas tanto de presídios comuns quanto de centros destinados a adolescentes envolvidos em infrações menos graves. Outro ponto do texto estabelece que a redução da maioridade penal só passará a valer caso seja aprovada em referendo popular previsto para ocorrer em 2028.

Encaminhada ao Congresso Nacional pelo governo federal em abril de 2025, a PEC da Segurança Pública ainda pode sofrer alterações antes de ser levada à votação no plenário da Câmara dos Deputados.

Da redação Mídia News

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