Um relatório divulgado pelo Goldman Sachs após a publicação das estatísticas fiscais do Banco Central do Brasil trouxe uma avaliação crítica sobre a condução da política fiscal brasileira. Segundo o banco, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra “aversão a controle de gastos”, o que deve manter o país em um cenário de déficits elevados nos próximos anos.
De acordo com a análise, o déficit nominal do setor público consolidado — que reúne o resultado primário e o pagamento de juros da dívida — atingiu 8,34% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado de 12 meses em 2025. O patamar volta a superar a marca de 8%, considerada elevada por analistas e investidores, especialmente em um contexto de juros altos e crescimento moderado da economia.
No mesmo período, o resultado primário consolidado foi negativo em 0,43% do PIB. Em dezembro, o setor público até registrou superávit de R$ 6,3 bilhões, número acima das expectativas do mercado, mas inferior ao observado no mesmo mês de 2024. Para o Goldman Sachs, esse desempenho pontual não altera a avaliação estrutural de fragilidade fiscal, reforçando a percepção de que não há uma estratégia consistente de contenção de despesas.
O banco também fez críticas diretas ao arcabouço fiscal em vigor desde 2023, que substituiu o antigo teto de gastos. Na avaliação dos economistas, o novo regime é fraco e pouco confiável, contribuindo para o aumento dos prêmios de risco e dificultando a ancoragem das expectativas de inflação no curto e médio prazos. Pelas regras atuais, as despesas podem crescer acima da inflação entre 0,6% e 2,5% ao ano, conforme o desempenho da arrecadação, o que, segundo o relatório, limita a capacidade de ajuste fiscal.
Sem a geração de superávits primários sustentados e superiores a 2% do PIB, o Goldman Sachs avalia que a dívida pública brasileira não deve entrar em trajetória estrutural de queda. Em 2025, a dívida bruta encerrou o ano em 78,7% do PIB, acima dos 71,7% registrados ao final de 2022. Pelo critério do Fundo Monetário Internacional, que inclui títulos na carteira do Banco Central, o endividamento alcança 93,4% do PIB.
Por fim, o relatório aponta que não espera uma redução relevante dos juros no curto prazo. A combinação de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento real dos salários tende, segundo o banco, a gerar pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços, levando o Banco Central a manter uma postura cautelosa na condução da política monetária.
Da redação Mídia News




