Durante um evento oficial do governo federal realizado na sexta-feira (16), no Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referiu-se à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) utilizando o pronome masculino. A fala ocorreu enquanto o chefe do Executivo discursava sobre os riscos do uso da inteligência artificial e os perigos da manipulação de imagens e informações.
A declaração aconteceu durante a cerimônia de lançamento das medalhas comemorativas dos 90 anos do salário mínimo. Ao alertar sobre o potencial de uso indevido de ferramentas digitais para a criação de conteúdos falsos, Lula citou a parlamentar como exemplo, mas utilizou o pronome “ele” ao se referir à deputada, que é uma mulher trans.
No trecho que gerou repercussão, o presidente afirmou que a inteligência artificial é capaz de manipular imagens de pessoas públicas, mencionando que alguém poderia pegar uma foto de Erika Hilton e alterá-la digitalmente. A forma como a referência foi feita provocou reações nas redes sociais, especialmente entre parlamentares, ativistas e usuários que acompanham pautas ligadas aos direitos da população LGBTQIA+.
O episódio ocorreu em meio a um discurso mais amplo sobre os impactos da tecnologia, no qual Lula também criticou o alcance de influenciadores digitais e o uso das redes sociais para disseminação de conteúdos considerados superficiais ou enganosos. Segundo o presidente, há um desequilíbrio entre o espaço dado a produtores de conteúdo educacional e figuras que ganham notoriedade com falas polêmicas ou desinformação.
Ainda durante a cerimônia, Lula voltou a abordar temas econômicos e sociais, incluindo críticas ao avanço das apostas esportivas e jogos de azar no país. O presidente afirmou que o governo tem atuado para endurecer a fiscalização sobre as chamadas “bets”, destacando os impactos negativos do vício em jogos, especialmente sobre famílias de baixa renda. Ele também mencionou a necessidade de ampliar a arrecadação e a regulação do setor.
Até o momento, não houve manifestação oficial nem do Palácio do Planalto nem da deputada Erika Hilton sobre o uso do pronome durante o discurso. O episódio, no entanto, passou a circular amplamente nas redes sociais e em veículos de imprensa, reacendendo debates sobre respeito à identidade de gênero e o cuidado no discurso de autoridades públicas.
Da redação Midia News



