O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma nova reunião com delegados da Polícia Federal para discutir o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. O encontro está previsto para esta segunda-feira (23) e deve definir os próximos passos do inquérito, que apura suspeitas de fraudes financeiras de grande escala.
A reunião será a segunda realizada em menos de dez dias. No último dia 13, Mendonça já havia se reunido com a equipe responsável pelas investigações por cerca de duas horas, quando autorizou novas diligências e determinou o aprofundamento das apurações.
Nova fase e ampliação das investigações
A expectativa é que a Polícia Federal apresente, nas próximas semanas, o relatório final da primeira etapa do inquérito. Essa fase concentra-se na análise da tentativa de aquisição de ativos pelo Banco de Brasília (BRB), operação que levantou suspeitas e motivou a abertura das investigações.
O caso entrou em uma nova etapa após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria. A mudança ocorreu em meio a questionamentos envolvendo supostas ligações com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Com a redistribuição, Mendonça assumiu o processo e passou a adotar medidas para acelerar o andamento do caso.
Mais autonomia para a Polícia Federal
Entre as primeiras decisões do novo relator está a revogação de uma medida anterior que limitava o acesso ao material apreendido a apenas quatro peritos. Com a nova determinação, a Polícia Federal poderá ampliar sua equipe técnica, agilizando a análise de documentos e dispositivos eletrônicos, incluindo o celular de Vorcaro.
Outra mudança relevante foi a redução do nível de sigilo do inquérito, o que permite maior transparência sobre os atos processuais e amplia o acompanhamento por parte da sociedade e de órgãos de controle.
Operação Compliance Zero no foco
As investigações avançam agora para a segunda fase da chamada “Operação Compliance Zero”, que apura indícios de fraudes bilionárias envolvendo a manipulação de fundos de investimento ligados ao Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, o cruzamento de dados extraídos de dispositivos eletrônicos será essencial para identificar possíveis conexões entre os investigados e mapear uma eventual rede de influência que teria viabilizado as operações suspeitas.
A complexidade do caso, que envolve fundos de investimento e estruturas financeiras sofisticadas, deve exigir perícias contábeis aprofundadas e análise detalhada das transações realizadas.
Definição de cronograma
A reunião desta segunda-feira também deve estabelecer o cronograma de depoimentos e avaliar a necessidade de novas medidas, como buscas e apreensões. A condução de Mendonça sinaliza uma aceleração no processo, que anteriormente tramitava sob regras mais restritivas.
O caso vem sendo acompanhado de perto por agentes do mercado financeiro e por órgãos de fiscalização, uma vez que o desfecho das investigações pode impactar diretamente a regulação do setor bancário e a governança de instituições públicas envolvidas em negociações com o Banco Master.
Da redação Mídia News





