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Ministros do STF acumulam participações em empresas privadas e reacendem debate ético

Levantamento aponta vínculos societários em áreas como agronegócio, educação e gestão imobiliária; tema volta ao centro do debate sobre conflitos de interesse no Judiciário

Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mantêm participações societárias ativas em empresas privadas, distribuídas entre os setores de educação, agronegócio, advocacia e administração imobiliária. A informação foi revelada em levantamento do portal UOL, com base em dados da Receita Federal, e reacendeu o debate público sobre os limites éticos das atividades paralelas exercidas por magistrados da mais alta Corte do país.

De acordo com a apuração, Gilmar Mendes, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino figuram como sócios de ao menos 11 empresas privadas. Em dois casos — André Mendonça e Nunes Marques — as empresas foram constituídas após a posse no STF, o que ampliou o escrutínio público sobre o tema.

A divulgação ocorre em meio a discussões intensificadas por declarações recentes do ministro Dias Toffoli, que afirmou que magistrados podem ser proprietários de fazendas e sócios de empresas, desde que não exerçam funções administrativas ou de gestão direta. A fala ocorreu em um contexto de maior atenção da sociedade civil e do Congresso sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo membros do Judiciário.

Segundo a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), magistrados podem deter participação societária, mas estão impedidos de atuar como administradores, gerentes ou gestores das empresas. A norma busca preservar a independência judicial e evitar interferências indevidas em julgamentos.

Entre os ministros citados, Gilmar Mendes concentra a estrutura societária mais ampla. Ele participa de quatro frentes empresariais, principalmente por meio da holding Roxel Participações, que possui capital social declarado de R$ 9,8 milhões. A empresa detém participação no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e em empreendimentos do agronegócio no Mato Grosso, como a MT Crops e a GMF Agropecuária, voltada ao cultivo de soja no município de Alto Paraguai.

André Mendonça fundou, em 2022, a Integre Cursos, voltada à capacitação profissional, enquanto Nunes Marques criou, em 2025, a Educacional e Capacitação Ltda. Em ambos os casos, familiares aparecem formalmente responsáveis pela gestão.

Cristiano Zanin figura como sócio do Instituto Lawfare e da Attma Participações, embora tenha informado que já solicitou a retirada de seu nome do primeiro. Flávio Dino, por sua vez, declarou que o instituto do qual participa foi fundado há mais de duas décadas, antes de sua entrada na magistratura.

Em nota oficial, o STF afirmou que todos os ministros cumprem rigorosamente a legislação vigente e que a simples posse de cotas sociais não configura irregularidade. Ainda assim, especialistas apontam que a ampliação da transparência patrimonial é fundamental para preservar a confiança pública e a imparcialidade da Corte, especialmente em julgamentos que envolvem grandes interesses econômicos.

Da redação Mídia News

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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