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Ministros suspeitam de gravação em reunião reservada do STF sobre caso Banco Master

Divulgação de falas atribuídas a encontro fechado amplia tensão interna e levanta questionamentos sobre vazamento de informações

A divulgação de trechos detalhados de uma reunião reservada do Supremo Tribunal Federal (STF) provocou desconforto entre integrantes da Corte e abriu uma nova frente de tensão institucional. Ministros passaram a suspeitar que o colega Dias Toffoli possa ter gravado o encontro realizado na noite de quinta-feira (12), na sede do tribunal, após relatos considerados fiéis às falas feitas a portas fechadas virem a público.

As informações foram inicialmente publicadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pelo portal Metrópoles. O nível de precisão dos diálogos divulgados chamou a atenção de magistrados, que avaliam que o conteúdo dificilmente teria sido reproduzido com tamanha exatidão sem algum tipo de registro.

A reunião contou com a presença de dez ministros e teve como pauta central a permanência de Toffoli na relatoria do processo envolvendo o Banco Master. Ao término do encontro, foi divulgada uma nota oficial informando que o ministro deixaria a condução do caso, decisão tomada em meio ao avanço das investigações.

O episódio ganhou novos contornos após a Polícia Federal apresentar relatório com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O documento menciona mensagens que citam Toffoli, além de referências a negociações envolvendo um resort no Paraná, o Tayayá. O material permanece sob sigilo.

Toffoli reconheceu participação societária no empreendimento, mas negou qualquer vínculo com Vorcaro ou seus familiares. Ainda assim, a divulgação das informações intensificou o debate interno no STF sobre a manutenção do ministro à frente do caso.

Segundo relatos, a reunião teve início por volta das 16h40, na sala da presidência da Corte, e se estendeu por quase três horas. Durante o encontro, o ministro Edson Fachin apresentou os elementos do relatório da Polícia Federal e conduziu a discussão sobre a Arguição de Suspeição nº 244, aberta para analisar a atuação de Toffoli.

O ambiente foi descrito como tenso. Toffoli defendeu sua imparcialidade, enquanto outros ministros alertaram para o desgaste institucional causado pela permanência dele na relatoria. Ao final, prevaleceu o entendimento de que a saída deveria ocorrer por iniciativa própria, o que levou à retirada da arguição.

A suspeita de que a reunião possa ter sido gravada sem autorização elevou ainda mais o clima de desconfiança dentro do Supremo. Ministros passaram a questionar como declarações restritas ao encontro fechado chegaram à imprensa com riqueza de detalhes, ampliando a crise em torno do caso.

Da redação Midia News

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