
Uma organização não governamental (ONG) apontada como uma das responsáveis pelo fracasso na organização da COP30 já recebeu quase R$ 900 milhões em recursos públicos ao longo dos últimos anos, segundo dados obtidos em portais de transparência e relatórios de órgãos de controle. A revelação reacende o debate sobre a destinação de verbas para entidades do terceiro setor e levanta questionamentos sobre critérios, fiscalização e resultados entregues à sociedade.
A COP30, prevista para ocorrer no Brasil, vem sendo alvo de críticas de especialistas, parlamentares e representantes da sociedade civil devido a atrasos em obras de infraestrutura, falhas de planejamento, problemas logísticos e indefinições na governança do evento. Nos bastidores, cresce a pressão para apurar responsabilidades e reavaliar contratos e parcerias firmadas para a realização da conferência climática.
A ONG em questão teria sido contratada para atuar em frentes estratégicas, como consultoria técnica, articulação institucional, projetos socioambientais e apoio logístico. No entanto, auditorias preliminares e manifestações de órgãos de controle apontam possíveis irregularidades, sobrepreço em contratos, metas não cumpridas e baixa entrega de resultados proporcionais ao volume de recursos recebidos.
Parlamentares da oposição já protocolaram requerimentos de informação e pedidos de convocação de dirigentes da entidade para prestar esclarecimentos no Congresso Nacional. A intenção é entender como os quase R$ 900 milhões foram aplicados, quais projetos foram efetivamente executados e por que, apesar do elevado aporte financeiro, a organização da COP30 enfrenta tantos entraves.
Especialistas em gestão pública alertam que repasses vultosos a ONGs exigem mecanismos rigorosos de controle, metas claras e indicadores de desempenho. “Não se trata de demonizar o terceiro setor, mas de garantir que o dinheiro público seja usado com eficiência, transparência e foco em resultados”, afirma um consultor ouvido pela reportagem.
O governo, por sua vez, informou em nota que todos os contratos seguem a legislação vigente e que eventuais irregularidades serão apuradas. Também ressaltou que a preparação da COP30 envolve múltiplos atores e que os desafios logísticos e estruturais são complexos, especialmente em regiões com histórico déficit de infraestrutura.
Mesmo assim, a divulgação do montante recebido pela ONG intensifica o clima de desconfiança e amplia a cobrança por respostas. Para críticos, o caso simboliza problemas recorrentes na relação entre o poder público e entidades do terceiro setor, especialmente quando grandes eventos internacionais estão em jogo.
A expectativa é que novas informações surjam nas próximas semanas, à medida que investigações avancem e documentos sejam analisados. Enquanto isso, a credibilidade da organização da COP30 segue em xeque, e o episódio reforça a necessidade de maior transparência, controle social e responsabilização na gestão de recursos públicos.
Da redação Mídia News

