
A prisão do empresário Daniel Vorcaro, ocorrida na quarta-feira (4), trouxe novos elementos à investigação conduzida pela Polícia Federal e revelou que o ex-banqueiro já se preparava para apresentar explicações públicas sobre sua relação com o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, Vorcaro organizava argumentos para esclarecer um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à família do magistrado. O acordo previa pagamentos que poderiam alcançar até R$ 129 milhões ao longo de três anos.
Contrato com escritório da família do ministro
O contrato foi firmado com a banca que tem entre os sócios a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Também integram o escritório os advogados Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes, filhos do magistrado.
Segundo a versão apresentada por Vorcaro antes de sua prisão, os serviços previstos no contrato teriam sido efetivamente prestados. O ex-banqueiro afirmava possuir documentos capazes de comprovar a atuação do escritório, sustentando que os trabalhos executados eram legítimos e compatíveis com o acordo firmado.
Entre as atividades apontadas estariam a elaboração de manuais de compliance e governança corporativa destinados à estrutura administrativa do Banco Master. Vorcaro também relatava que integrantes da equipe jurídica realizavam visitas frequentes à sede da instituição financeira e participavam de reuniões periódicas no escritório localizado em São Paulo para acompanhar a execução dos serviços.
Investigação teve acesso ao celular do empresário
No curso das investigações, a Polícia Federal obteve autorização judicial para quebrar o sigilo das comunicações de Vorcaro e analisar o conteúdo de seu celular. A partir desse material, os investigadores identificaram trocas de mensagens e encontros entre o empresário e o ministro Alexandre de Moraes, segundo relatos da investigação.
Apesar disso, o ex-banqueiro afirmava não ver irregularidade na relação e admitia manter amizade com o magistrado. Ele também negava qualquer tentativa de influência em decisões judiciais relacionadas ao Banco Master.
Como argumento, Vorcaro citava o fato de estar submetido a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar antes da nova ordem de prisão. Para ele, essas restrições demonstrariam que não havia favorecimento por parte do ministro.
Depoimento no Senado estava previsto
Antes de ser preso, Vorcaro também se preparava para prestar esclarecimentos à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O colegiado é presidido pelo senador Renan Calheiros, e a audiência tinha como foco principal as operações do Banco Master e possíveis impactos no sistema financeiro.
Nos bastidores do Congresso, porém, havia expectativa de que o empresário fosse questionado também sobre suas relações com integrantes do Supremo Tribunal Federal.
A prisão do ex-banqueiro e a análise de seus dispositivos eletrônicos continuam sendo peças centrais nas investigações em andamento, que buscam esclarecer eventuais vínculos entre interesses privados, instituições financeiras e agentes públicos.
Da redação Mídia News





