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Quebra de sigilo revela movimentações de quase R$ 1 milhão em um único dia em conta de Fábio Luís Lula da Silva

Registros bancários analisados por investigadores indicam operações milionárias e transferências para empresário posteriormente citado em investigação da Polícia Federal

A análise de registros bancários e fiscais do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelou movimentações financeiras significativas em suas contas, incluindo operações que chegaram perto de R$ 1 milhão em apenas um dia. As informações surgiram a partir de uma quebra de sigilo bancário e fiscal que passou a integrar um conjunto de investigações sobre movimentações financeiras ligadas ao empresário.

De acordo com os dados examinados por investigadores, no dia 24 de maio de 2024 foram registradas transações que somaram R$ 967 mil entre créditos e débitos realizados em sua conta corrente. O maior valor creditado naquela data foi de R$ 487 mil, proveniente do resgate de um título de Letra de Crédito Agrícola (LCA).

Logo após a entrada do recurso, houve um débito de R$ 480 mil da mesma conta. Os extratos bancários analisados não indicam, no entanto, o destino final desse montante após a transferência.

A soma dessas operações contribuiu para que, naquele dia específico, o volume financeiro movimentado na conta se aproximasse de R$ 1 milhão.

Movimentações somam R$ 19 milhões em quatro anos

O levantamento das transações mostra ainda que, ao longo de aproximadamente quatro anos, uma única conta vinculada ao empresário no segmento BB Estilo acumulou cerca de R$ 19 milhões em movimentações financeiras.

Desse total, aproximadamente R$ 9,66 milhões correspondem a valores creditados, enquanto o restante foi transferido posteriormente para contas de terceiros.

Segundo os dados analisados, 2024 foi o ano com maior volume de movimentações, quando cerca de R$ 7,2 milhões circularam pela conta. Em 2025, o total registrado caiu para aproximadamente R$ 3,3 milhões.

Já em 2026, até o dia 30 de janeiro, as transações identificadas somavam R$ 205.455,96.

Transferências para empresário investigado

Os registros bancários também apontam transferências realizadas por Lulinha ao empresário Kalil Bittar, que totalizaram aproximadamente R$ 750 mil.

De acordo com os documentos analisados, os repasses ocorreram entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, normalmente em valores próximos de R$ 50 mil mensais. O último pagamento identificado foi realizado em 27 de outubro de 2025.

Posteriormente, Kalil Bittar passou a figurar entre os investigados em uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de atuação de lobby no Ministério da Educação, envolvendo possível intermediação irregular de recursos públicos ligados a programas educacionais.

Perfil financeiro da conta

A análise das transações levou investigadores a classificarem a conta como predominantemente voltada à movimentação financeira.

Entre as principais origens dos créditos identificados estão:

  • transferências de empresas pertencentes ao próprio Lulinha;

  • rendimentos de aplicações financeiras;

  • transferências realizadas por pessoas físicas.

Duas empresas ligadas ao empresário aparecem como as principais fontes de depósitos no período analisado.

A LLF Tech Participações realizou transferências que somaram aproximadamente R$ 2,37 milhões, enquanto a G4 Entretenimento e Tecnologia respondeu por cerca de R$ 772 mil em depósitos.

Investigação pode se ampliar

Investigadores destacam que a conta analisada representa apenas parte das movimentações financeiras que estão sendo examinadas. Outras contas bancárias vinculadas ao empresário e às suas empresas também devem passar por análise nos próximos desdobramentos da investigação.

O contexto da apuração inclui suspeitas relacionadas ao caso que ficou conhecido como “Farra do INSS”, que investiga descontos indevidos em benefícios de aposentados. Nesse cenário, surgiu a suspeita de que Lulinha teria mantido sociedade com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais investigados no esquema.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirma que o empresário não possui qualquer relação com o investigado conhecido como Careca do INSS nem com os supostos descontos indevidos em benefícios.

Segundo os advogados, Lulinha pretende prestar esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância considerada pela defesa como o foro adequado para tratar do caso.

Da redação Mídia News

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