O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, esteve hospedado no resort Tayayá, localizado no Paraná, nos mesmos dias em que um jatinho vinculado à holding J&F realizou voos sobre a região. A coincidência temporal, registrada entre os dias 19 e 22 de dezembro, voltou a alimentar debates sobre a proximidade entre integrantes do Judiciário e empresários investigados no âmbito da Operação Lava Jato.
De acordo com informações divulgadas pelo site Metrópoles, a aeronave partiu de Brasília e realizou deslocamentos que coincidem com o período em que Toffoli estava no resort. Durante a estadia, o ministro contou com acompanhamento de equipes de segurança do Judiciário, conforme apontam registros oficiais. A J&F, controladora da JBS, aparece como responsável pelo avião citado nos relatórios de voo.
A coincidência chama atenção sobretudo pelo histórico da empresa, que teve seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista, envolvidos em investigações de grande repercussão nacional. A JBS foi alvo de condenações e acordos firmados no contexto da Lava Jato, o que torna qualquer aproximação institucional motivo de escrutínio público.
Outro ponto que intensificou as suspeitas diz respeito ao próprio resort Tayayá. O empreendimento integrou o patrimônio da família de Dias Toffoli até 2025. Em 2023, a participação foi transferida para um advogado com vínculos próximos a executivos da J&F, por meio de uma negociação conduzida mediante procuração assinada por familiares do ministro. A operação levantou questionamentos sobre a possibilidade de uso de intermediários para ocultar relações comerciais indiretas.
Mesmo após a formalização da venda, funcionários do resort relatam que o nome de Toffoli segue associado ao local, principalmente em razão da frequência com que o magistrado é visto no estabelecimento. Levantamentos indicam que o ministro teria passado mais de cem dias no resort desde 2022, o que reforça a percepção de vínculo contínuo com o empreendimento.
Especialistas em governança pública e ética institucional avaliam que, embora não haja até o momento comprovação de irregularidade, o caso evidencia a necessidade de maior transparência nas relações entre autoridades do Judiciário e grupos empresariais com histórico de envolvimento em escândalos. Para analistas, situações desse tipo podem gerar desgaste institucional e comprometer a confiança da sociedade.
Até o momento, a assessoria do ministro Dias Toffoli não se manifestou sobre os voos, a estadia no resort ou eventuais encontros com representantes da J&F.
Da redação Mídia News





