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Toffoli resiste à pressão e mantém relatoria de inquérito sobre o Banco Master no STF

Ministro afirma não haver impedimento legal e avalia que eventual saída poderia anular decisões e atrasar investigações

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu permanecer na relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e indica que, apesar da crescente pressão interna, o magistrado avalia não existir fundamento jurídico que justifique seu afastamento do caso.

Segundo interlocutores, Toffoli sustenta que não se enquadra em nenhuma das hipóteses de impedimento ou suspeição previstas no Código de Processo Penal. O ministro também teria afirmado que não há motivo de foro íntimo que comprometa sua imparcialidade. Entre os pontos questionados por críticos estão uma viagem em avião particular com advogado ligado à investigação e vínculos de familiares com fundos associados ao banco, argumentos que, segundo ele, não configuram irregularidade.

Nos bastidores do Supremo, Toffoli argumenta que uma eventual saída da relatoria provocaria impactos significativos no andamento do inquérito. A avaliação é de que a substituição do relator poderia resultar na anulação automática de decisões já tomadas, incluindo depoimentos, acareações e mandados de busca e apreensão. Esse cenário, segundo o ministro, faria a investigação retornar à estaca zero, comprometendo meses de trabalho.

A condução do caso, no entanto, tem gerado desconforto entre integrantes de instituições envolvidas. De acordo com a Folha, membros da Polícia Federal, do Banco Central e da Procuradoria-Geral da República demonstram insatisfação com algumas decisões adotadas ao longo da apuração. Entre os pontos criticados estão o sigilo imposto ao processo, a realização de diligências durante o recesso do Judiciário e mudanças na custódia das provas.

Um dos episódios mais recentes de tensão envolve a escolha dos peritos responsáveis pela análise do material apreendido. Toffoli decidiu indicar diretamente os profissionais, enquanto a Polícia Federal sustenta que essa atribuição cabe à corporação. Também houve divergências sobre quem deveria manter a guarda das provas, que passaram pelo gabinete do ministro, pela PGR e, posteriormente, pela PF.

O desgaste interno se estende à cúpula do STF. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, tem evitado se manifestar publicamente sobre o caso, buscando administrar a crise sem aprofundar divisões entre os ministros. A situação ganhou novos contornos após reportagens apontarem a existência de contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, que nega qualquer influência no processo.

Apesar das pressões, Toffoli segue decidido a permanecer no caso. Nos bastidores, chegou-se a cogitar um afastamento voluntário por motivos de saúde, hipótese que permitiria a redistribuição do inquérito. Até o momento, porém, o ministro mantém a posição de que sua saída traria mais prejuízos do que soluções para a investigação.

Da redação Mídia News

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