
A Transparência Internacional emitiu um alerta público sobre o que classificou como um risco institucional ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao comentar a possibilidade de o caso envolvendo o Banco Master ser incluído nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, em tramitação no Senado Federal. Segundo a entidade, o cenário exige uma reação firme das autoridades para preservar a integridade das instituições democráticas.
A manifestação foi publicada nesta quarta-feira (28) nas redes sociais da organização, em meio ao debate sobre a ampliação das investigações parlamentares e seus reflexos no sistema financeiro e no Judiciário. Para a Transparência Internacional, a infiltração do crime organizado em estruturas estatais representa uma das maiores ameaças ao funcionamento do Estado de Direito.
“Esta é a faceta mais perigosa desse tipo de crime: ele se infiltra nas mais altas esferas do aparato estatal pelo volume extraordinário de dinheiro com que opera”, destacou a entidade em publicação no X (antigo Twitter).
A discussão ganhou força após declarações do relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ao jornal O Estado de S. Paulo, o parlamentar afirmou que pretende apresentar, já na próxima semana, pedidos de quebra de sigilo de empresas e pessoas físicas que mantêm relação com ministros do Supremo Tribunal Federal. O objetivo, segundo ele, é aprofundar as apurações antes mesmo da eventual instalação de uma CPI específica para investigar o Banco Master.
Embora o pedido para criação de uma comissão exclusiva sobre o banco já conte com o número mínimo de assinaturas no Congresso, a abertura da CPI ainda depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até o momento, não há confirmação de que o requerimento será acolhido, o que tem levado parlamentares a buscarem avanços dentro da comissão já em funcionamento.
Em nova manifestação pública, a Transparência Internacional reforçou a necessidade de investigações independentes. Para a organização, os fatos recentemente revelados expõem fragilidades institucionais e evidenciam a urgência de um debate mais amplo sobre regras de conduta, transparência e prevenção de conflitos de interesse no âmbito do Judiciário.
O caso ganhou maior repercussão após a divulgação de um contrato de R$ 129 milhões firmado, em janeiro de 2024, entre o Banco Master e o escritório de advocacia da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a entidade, o acordo nunca foi devidamente esclarecido, o que contribui para o desgaste da imagem da Corte.
Além disso, reportagens apontam que Fabiano Zettel, empresário e cunhado de Daniel Vorcaro, teria participação em fundos que adquiriram parte das cotas pertencentes aos irmãos do ministro Dias Toffoli — José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli — em um resort de luxo localizado no interior do Paraná.
Para a Transparência Internacional, o conjunto de informações reforça a necessidade de maior rigor institucional, mecanismos de controle mais eficazes e total transparência para preservar a credibilidade do Supremo Tribunal Federal e das instituições democráticas brasileiras.
Da redação Mídia News




