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Vice-governador do Maranhão é flagrado xingando dirigente do PT em grupo de WhatsApp

Mensagens vazadas revelam crise interna no partido e expõem disputa pela sucessão estadual em ano pré-eleitoral

Mensagens atribuídas ao vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), trouxeram à tona um episódio de forte tensão interna no Partido dos Trabalhadores e reacenderam o debate sobre a sucessão estadual. O conteúdo, que circulou em um grupo de WhatsApp formado por lideranças da legenda, revela ataques diretos e linguagem ofensiva contra um correligionário, ampliando o desgaste político em um momento estratégico para o partido.

Os diálogos, que vieram a público nesta sexta-feira, mostram Camarão reagindo de forma agressiva a críticas feitas pelo presidente do diretório municipal do PT em Viana, Frederich Marx. O dirigente havia questionado a estratégia eleitoral da sigla, classificando como equivocada a tentativa de lançar candidatura própria ao governo do Estado. A resposta do vice-governador foi marcada por xingamentos e ataques pessoais.

“Tu é um mentiroso, tudo que tu já escreveu neste grupo é mentira. Tu é safado, mentiroso e vagabundo”, escreveu Camarão em uma das mensagens. Em outro momento, voltou a se referir ao correligionário de forma ofensiva, chamando-o de “idiota” durante nova discussão sobre o cenário eleitoral de 2026.

Disputa interna e sucessão estadual

O episódio evidencia o racha existente no PT maranhense. De um lado, está o grupo que defende candidatura própria ao governo, com Felipe Camarão como principal nome. Do outro, uma ala que aposta na manutenção da aliança com o governador Carlos Brandão, que articula politicamente a viabilidade do sobrinho, Orleans Brandão, como sucessor.

Camarão é visto como aliado direto do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, com quem Brandão rompeu politicamente em 2024. Integrantes do grupo ligado a Dino afirmam que o governador teria descumprido um acordo que previa sua saída antecipada do cargo para viabilizar a ascensão do vice ao Palácio dos Leões.

Bastidores e embate político

Nos bastidores, aliados de Brandão classificam a pressão exercida por setores do PT como chantagem política. Nomes como o deputado federal Márcio Jerry e o deputado estadual Othelino Neto são citados como articuladores desse grupo. Em uma das mensagens vazadas, Camarão chegou a afirmar que, sem sua atuação, o PT já teria perdido espaço no governo estadual.

O vice-governador também mencionou a possibilidade de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumento contestado por lideranças internas. Até o momento, não há sinalização oficial do Planalto em favor de sua candidatura.

Dúvidas sobre viabilidade eleitoral

Quadros do partido no interior do Maranhão avaliam que Camarão ainda não possui base política consolidada fora da capital. Pesquisas internas apontam que o governador Carlos Brandão mantém altos índices de aprovação, próximos de 70%, o que reforça sua influência no processo sucessório.

Apesar disso, o vice-governador mantém o discurso de candidatura própria e aposta no apoio nacional do PT. O episódio, no entanto, amplia o desgaste interno e expõe publicamente as divisões que podem impactar o desempenho do partido nas eleições de 2026.

Da redação Mídia News

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