Visto cancelado: assessor ligado a Trump tentou discutir eleições com futuro presidente do TSE
Governo brasileiro cancelou o visto de Darren Beattie após identificar omissão de informações sobre compromissos previstos durante visita ao país, incluindo tentativa de reunião com o ministro Kassio Nunes Marques.

O assessor do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Darren Beattie, solicitou uma reunião com o ministro Kassio Nunes Marques, integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para tratar de temas relacionados às eleições brasileiras. O encontro seria realizado durante uma viagem planejada ao Brasil, que acabou não ocorrendo após o cancelamento do visto do assessor pelo governo brasileiro.
De acordo com informações divulgadas, Nunes Marques deverá presidir a Corte eleitoral durante o pleito deste ano, o que teria motivado o interesse de Beattie em discutir o sistema eleitoral e outros assuntos ligados ao processo democrático no país.
Visto cancelado pelo Itamaraty
A viagem foi barrada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty. Segundo o governo brasileiro, o visto concedido ao assessor foi cancelado após a identificação de omissão e possível falseamento de informações relevantes no pedido apresentado em Washington, D.C.
Conforme a justificativa oficial, o formulário de solicitação indicava que Beattie participaria de uma conferência sobre minerais críticos e de reuniões com representantes do governo brasileiro. Entretanto, autoridades afirmaram que outros compromissos planejados não foram informados previamente.
Entre eles estariam a tentativa de encontro com Kassio Nunes Marques e uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso em Brasília.
Visita a Bolsonaro gerou controvérsia
Durante os preparativos da viagem, Beattie chegou a obter autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para visitar Bolsonaro.
Posteriormente, no entanto, Moraes reconsiderou a autorização após receber informações do Itamaraty sobre os objetivos da viagem e os encontros não informados inicialmente.
Governo apontou risco de ingerência
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comunicou ao STF que a visita poderia ser interpretada como uma possível interferência em assuntos internos do país, especialmente por ocorrer em um ano eleitoral.
Segundo o chanceler, o encontro com Bolsonaro não havia sido comunicado previamente às autoridades brasileiras, o que ampliou a preocupação diplomática.
Agenda oficial citava outro evento
De acordo com o Itamaraty, o visto havia sido solicitado com base na participação de Beattie em uma conferência internacional sobre minerais críticos e em reuniões institucionais com representantes do governo brasileiro.
Entre os compromissos citados estava o Fórum Brasil–EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer em São Paulo. No entanto, autoridades brasileiras afirmaram que outras agendas paralelas não foram informadas no pedido de visto.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores declarou que a omissão de informações relevantes sobre os objetivos da viagem constitui base legal suficiente para o cancelamento do visto e eventual impedimento de entrada no país, conforme previsto na legislação brasileira e em normas internacionais.
Da redação Mídia News





