
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou que pretende protocolar na próxima segunda-feira (9), em Brasília, um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A iniciativa ocorre após a divulgação de mensagens que indicariam uma troca de comunicação entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão foi anunciada após reportagem publicada pelo jornal O Globo, que revelou a existência de uma mensagem enviada por Vorcaro a Moraes em 17 de novembro do ano passado, data em que o empresário foi preso no âmbito de investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Segundo a publicação, o banqueiro teria enviado ao ministro o seguinte texto: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. A reportagem afirma ainda que Moraes teria respondido logo em seguida.
As mensagens teriam sido enviadas no formato de visualização única, recurso que impede o armazenamento permanente do conteúdo no aplicativo de mensagens. Ainda assim, registros da comunicação teriam sido identificados pela Polícia Federal durante a análise do celular pessoal de Vorcaro, apreendido no decorrer das investigações relacionadas ao caso do Banco Master.
Governador questiona permanência de Moraes no STF
Ao comentar a decisão de protocolar o pedido de impeachment, Zema afirmou que considera incompatível a permanência de Moraes no cargo após a divulgação das mensagens.
Em declaração enviada à imprensa, o governador afirmou que a situação levanta dúvidas sobre a imparcialidade exigida de ministros da Suprema Corte.
“Estou entrando na segunda-feira com o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele não tem condição de permanecer no cargo depois da revelação de que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. É inaceitável. Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, submetidos à lei e à transparência, como todos os cidadãos”, declarou.
Críticas ao Supremo nas redes sociais
Antes de anunciar a iniciativa formal, Zema também publicou críticas ao Supremo Tribunal Federal em suas redes sociais. Na mensagem, o governador afirmou que a população estaria insatisfeita com a atuação da Corte.
“O povo brasileiro não vai se calar e os intocáveis têm medo. O muro em volta deles está desmoronando. Essa farra vai e precisa acabar”, escreveu.
Parlamentares também defendem impeachment
Além do governador mineiro, parlamentares da oposição também se manifestaram defendendo a abertura de processo de impeachment contra Moraes.
Entre eles está o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que criticou o ministro nas redes sociais e afirmou que o Senado deveria suspender suas atividades até que o pedido de impeachment fosse analisado.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também comentou o caso, defendendo medidas mais duras contra o magistrado.
Outro parlamentar que anunciou iniciativa semelhante foi o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara. Ele informou que pretende protocolar, na próxima terça-feira, um novo pedido de impeachment no Senado Federal.
Segundo o parlamentar, as informações divulgadas nas últimas horas levantam questionamentos sobre a conduta esperada de um integrante da Suprema Corte.
“Um ministro do STF não pode manter qualquer tipo de comunicação com investigados em casos dessa gravidade. Isso coloca sob suspeita a imparcialidade que o cargo exige e atinge diretamente a credibilidade das instituições”, afirmou.
De acordo com a Constituição Federal, ministros do STF podem responder por crimes de responsabilidade, sendo o Senado Federal responsável por analisar eventuais pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.
Da redação Mídia News





