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Zema compara STF a “papa pedófilo”, gera reação no Supremo e acirra disputa política

Declaração do governador de Minas Gerais provoca resposta de Gilmar Mendes e reforça estratégia de confronto institucional em cenário pré-eleitoral

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protagonizou uma nova polêmica nesta quarta-feira (18) ao criticar duramente o Supremo Tribunal Federal (STF) durante um evento do agronegócio em Belo Horizonte. A declaração repercutiu no meio político e provocou reação imediata de integrantes da Corte.

Ao comentar decisões do STF, Zema utilizou uma comparação considerada ofensiva e controversa. “O que nós estamos assistindo no Brasil, eu não me lembro de ter assistido à mais alta corte, que deveria ser referência. Olha o que ela está aprontando. É como se nós tivéssemos um papa pedófilo. O que esperar dos padres?”, afirmou.

A fala ocorre em meio a um movimento mais amplo do governador e do partido Novo, que nas últimas semanas vêm adotando um discurso mais incisivo contra o Judiciário. A estratégia é interpretada por analistas políticos como uma tentativa de ampliar visibilidade nacional e consolidar espaço eleitoral.

Nos bastidores, aliados avaliam que há uma oportunidade para Zema ocupar uma posição mais combativa no campo da direita. Isso ocorre em um momento em que lideranças como Flávio Bolsonaro (PL) têm adotado um tom mais moderado em relação ao STF, buscando dialogar com eleitores de perfil menos radicalizado.

A tensão aumentou após a resposta do ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo. Durante sessão da Corte, ele criticou duramente o governador mineiro. “É chocante ver um governador como o de Minas Gerais, que levou o estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a liminares dadas por este tribunal, atacar o tribunal. Eu fico pensando: ‘Pai, eles não sabem o que fazem’”, declarou.

A fala do ministro faz referência a decisões do STF que beneficiaram Minas Gerais nos últimos anos. Ainda no fim da gestão de Fernando Pimentel (PT), a Corte suspendeu o pagamento da dívida do estado com a União, medida que continuou válida durante o governo Zema.

Posteriormente, a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal também contou com respaldo do STF, permitindo ao estado reorganizar suas finanças em meio à crise fiscal.

Apesar dessas medidas, Minas Gerais encerrou 2025 com uma dívida de aproximadamente R$ 177 bilhões com a União, valor que representa crescimento real de cerca de 40% em comparação a 2018. O governo estadual afirma que não houve contratação de novas dívidas no períoo, atribuindo o aumento principalmente à incidência de juros e encargos contratuais.

O episódio evidencia o acirramento das relações entre Executivo e Judiciário e reforça o papel do STF no centro do debate político nacional, especialmente em um contexto de reposicionamento de lideranças e antecipação do cenário eleitoral.

Da redação Mídia News

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