
A recente redução de tarifas globais para o comércio de café, que inicialmente parecia representar uma oportunidade para elevar a competitividade brasileira, tem gerado preocupação entre exportadores do setor. Representantes das principais empresas afirmam que a mudança acabou criando um ambiente ainda mais desafiador para o Brasil, ao ampliar a competitividade de outros países produtores e pressionar os preços internacionais.
Segundo exportadores, enquanto o país enfrenta custos internos elevados — como logística, insumos e carga tributária —, concorrentes tradicionais, como Vietnã, Colômbia e alguns produtores africanos, tendem a se beneficiar mais rapidamente da abertura tarifária. Isso ocorre porque esses países operam com estruturas de custo menores e conseguem ajustar seus preços de forma mais agressiva no mercado internacional.
Outro ponto de alerta é a qualidade do café brasileiro, que, embora reconhecida, enfrenta disputas cada vez mais acirradas no segmento de grãos especiais. Com a redução das tarifas, mercados premium também devem registrar maior entrada de produtos estrangeiros, pressionando ainda mais o setor nacional.
Exportadores destacam que, para reverter esse cenário, o Brasil precisaria avançar em políticas de incentivo à produção, investimentos em infraestrutura e mecanismos de apoio ao produtor rural, garantindo condições mais equilibradas de competição global.
Ao mesmo tempo, o setor acredita que a diplomacia comercial e a ampliação de acordos bilaterais podem ajudar a conter a perda de espaço em mercados estratégicos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, que absorvem grande parte da safra brasileira.
Da redação Mídia News

