
Como tudo que se publica sobre o Pantanal, cedo ou tarde termina remetido para mim, sinto-me obrigado a tentar, inutilmente repetidas vezes, a pelo menos um vago contraponto e eventualmente dar vazão a alguma contribuição relevante.
Todos se apavoram com a Decretação Federal até Dezembro de 2026 de “Situação de Emergência Ambiental Federal” conforme divulgado por todas midias:
“-Em Mato Grosso do Sul, a emergência ambiental vai de abril a novembro de 2026 nas regiões Centro-Norte e Sudoeste. No período de março a novembro, será no Leste do Estado. No Pantanal, o estado de emergência ambiental vai de abril a dezembro de 2026. A portaria é assinada pela ministra Marina Silva.”
Compartilho duas distintas mas com o mesmo sentido, assumindo total responsabilidade por quem vestir a carapuça, ficar zangado e querer denunciar como patrulha censórea de plantão.
Ei-las:
“-A decretação de emergência, se não me engano, também coloca algumas ações fiscais e tributárias em suspenso, por tal, sempre deve ser feita com critério e, prudentemente, após ato motivador. A decretação preventiva, então, soa-me para atender interesses sutis, de fato, não públicos e confessáveis.”
Ou então, mais apimentada:
“-Emergência talvez para pagar campanha, por não precisa licitar mais nada.”
Ou o lançamento no MT do INPP – Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal, reunindo oitenta entidades mas não tiveram a sensatez de convidar pelo menos algum dos anciãos dos pantanais, ou mesmo seus representantes em Associações de Criadores , Federações ou Sindicatos Rurais, temos certeza que a sustentabilidade do Pantanal melhorará muito na hora que a cultura empírica tradicional tiver uma ponte permanente com as academias e pesquisadores…
Compartilho algo que, obviamente expressam o senso comum:
“-Em tese, parece que tem muitos órgãos falando e gerando divisão de recursos. Para o Pantanal restaria então muito pouca ação.”
Ia deixar só por meus comentários nas postagens na rede , mas eis que recebo contundente depoimento de helicóptero azul e avião preto e verde que insistentemente cruzam em vôo rasante, indo e voltando, bem baixinho na rota entre o Norte do Paiaguás e o rumo da Herculanea Coxim.
Tomara que não tenham nada a ver com a Toyota Hilux branca, com 3 homens e uma senhora, que também estão percorrendo as fazendas privadas da mesma região, mas esses a Rádio Peão me reportou que tem uma amedrontadora sigla, IFN Inventário Florestal Nacional.
Mais um motivo de preocupação para o Pantanal, onde a propriedade privada e suas reservas legais protegidas pelo pastoreio de bois bombeiros, são responsáveis pela maior conservação de todo o Bioma Pantanal, o Bioma dos Biomas.
Que não venham com mais uma medida prepotente, dos que dissociam a conservação do Pantanal da beleza da simbiose da pecuária tradicional, onde bovinos, equinos e ovinos fazem parte há mais de quatrocentos anos da fauna e flora nativas deste bioma.
Os pantaneiros estão só de ócro sobre tudo que acontece no Pantanal e preparados para enfrentar as narrativas maliciosas dos que são responsáveis impunes pela incineração das APPs de suas áreas ditas “protegidas” e das fazendas tradicionais que todos os pantaneiros que têm a infelicidade de os ter por perto como arrogantes vizinhos praticantes do “fire business”.
Armando Arruda Lacerda
Porto São Pedro
01/03/2026




