Novas informações analisadas no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS colocaram sob escrutínio um número de telefone associado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O dado que chamou a atenção dos investigadores é que a linha telefônica teria sido ativada em 22 de fevereiro de 2017 — mesma data em que o Senado Federal aprovou a indicação do magistrado para integrar a Corte.
De acordo com registros obtidos por meio do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (Sittel), utilizado pelo Ministério Público, o número consta como vinculado ao STF, embora não haja identificação nominal do usuário responsável pela linha funcional no período analisado.
O telefone passou a ser alvo de investigação após ter sido localizado no aparelho do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante apurações conduzidas pela Polícia Federal. O contato estava salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”, o que levantou suspeitas sobre eventual comunicação entre as partes.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, registros indicam que o número teria sido utilizado para envio de mensagens ao banqueiro poucas horas antes de uma ordem de prisão expedida contra ele, em novembro do ano passado. Entre os conteúdos analisados, consta uma mensagem enviada com recurso de visualização única, contendo questionamentos sobre possíveis desdobramentos da investigação.
Parlamentares ouvidos pela CPMI afirmaram que o número em questão era, de fato, utilizado por Moraes em determinado período, embora o ministro tenha trocado de aparelho recentemente. Ainda assim, a ausência de identificação formal do usuário da linha funcional mantém as dúvidas no centro do debate político.
Em resposta às suspeitas, Alexandre de Moraes negou qualquer irregularidade. Em nota oficial, o ministro afirmou que as alegações não procedem e destacou que uma análise técnica realizada pelo STF concluiu que imagens e registros apresentados não correspondem aos seus contatos reais.
Apesar da manifestação, a CPMI decidiu aprofundar a apuração. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encaminhou um ofício ao STF solicitando esclarecimentos detalhados sobre o uso da linha telefônica nos últimos cinco anos, com ênfase no período entre janeiro de 2021 e março de 2026.
O documento estabelece prazo de dois dias úteis para resposta por parte da Corte. A iniciativa busca esclarecer se houve qualquer tipo de comunicação indevida entre integrantes do STF e o empresário investigado, além de identificar o responsável pela utilização do número funcional citado nos registros.
O caso segue em análise e pode ter novos desdobramentos conforme o avanço das investigações parlamentares.
Da redação Mídia News




