
“- O homem pantaneiro observa a Declaração do Pantanal com a desconfiança de quem já viu muitas promessas bonitas virarem cerca no pasto alheio..
Há forças poderosas que pretendem transformar o Pantanal num grande Simba Safari, um cenário de contemplação estrangeira onde o boi é substituído pelo fotógrafo, o berrante pelo silêncio artificial dos parques intocados e o peão pela figura romanticamente folclórica de um museu a céu aberto.
Nessa lógica de conservação excludente, a planície alagada deixa de ser um território produtivo e cultural para se tornar um espetáculo visual gerido por fundos internacionais e agências distantes da realidade da lida.
Diante desse cenário, a declaração oficial carrega duas perspectivas antagônicas que não podem ser ignoradas.
De um lado, ela reconhece o valor das comunidades tradicionais e da conectividade ecológica que a pecuária extensiva, ironicamente, ajudou a preservar por mais de dois séculos.
É o atestado global de que o pantaneiro não é o vilão da história, mas o arquiteto de uma paisagem que o mundo agora deseja proteger.
De outro lado, esse mesmo documento pode servir de base jurídica para políticas que inviabilizem o manejo tradicional do gado em nome de uma natureza idealizada, empurrando o homem do campo e das ribeirinhas para fora de suas terras e abrindo espaço para a chegada do capital especulativo disfarçado de preservação ambiental.
O antagonismo real não se dá entre a conservação e a pecuária, mas entre o modo de vida pantaneiro e a tentativa de convertê-lo em um simulacro turístico e elitista.
Por isso, o posicionamento do homem pantaneiro não pode ser de rechaço absoluto à declaração, pois ela lhe confere um inédito capital político internacional.
Também não pode ser de aceitação passiva, pois o risco de se tornar um figurante no próprio quintal, é real e iminente.
A postura necessária é a de ocupação estratégica das arenas de decisão, exigindo que cada vírgula da Declaração do Pantanal seja condicionada à manutenção do homem no campo, ao pagamento justo pelos serviços ambientais que ele já presta e à blindagem jurídica contra qualquer tentativa de transformar o bioma num Simba Safari excludente.
Se o mundo quer salvar o Pantanal, que entenda de uma vez por todas que, sem o pantaneiro, a boiada e o cavalo, a planície alagada perde sua alma e se torna apenas um pântano cenográfico.
E vai queimar repetidamente e seguidamente como ja pode ser amplamente comprovado.”
-Obrigado à IA, que já descobriu que vivemos
de um lado, a necessidade de produzir melhor para sobrevivermos com o pastoralismo sustentável. De outro, a pressão coercitiva, coação e chantagem para não produzir nada.
No meio dessa bestialidade, o pantaneiro apenas querendo fazer o que sempre fez bem feito.
Vamos fazer uma Pericia ou Auditoria Técnica Ambiental para verificar os resultados destes últimos 40 anos, de arrogância e prepotência na tentativa de assumir comando e controle total no Pantanal, frente a humildade de expomos nas nossas irredutíveis comunidades a beleza da cultura que a pastoricia e a independência que verdadeiros moradores tradicionais cultuam e que deveriam ser respeitados pelos serviços ambientais de limpeza, provisão, suporte, regulação e manutenção da beleza prestados ao longo dos últimos séculos.
Armando Arruda Lacerda
Porto São Pedro




