
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União revelou que um atraso de aproximadamente sete meses na aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde resultou em um prejuízo estimado de R$ 260 milhões aos cofres públicos. O levantamento aponta que a demora no processo de contratação contribuiu diretamente para a perda de milhões de doses que não chegaram a ser aplicadas.
De acordo com o relatório, a negociação para compra da vacina CoronaVac teve início em fevereiro de 2023, mas só foi concluída em setembro do mesmo ano. As doses começaram a ser entregues ao Brasil em outubro, já com prazo de validade reduzido, o que limitou significativamente sua utilização dentro do sistema público de saúde.
O contrato previa a aquisição de cerca de 10 milhões de doses. No entanto, aproximadamente 8 milhões não foram utilizadas a tempo e acabaram descartadas após o vencimento. A perda dessas unidades representa a maior parte do prejuízo calculado pelos auditores, que destacaram a relação direta entre o atraso administrativo e o desperdício de recursos.
O TCU também apontou falhas no planejamento logístico e na análise de demanda. À época da entrega, a procura pela vacina já era menor, e o imunizante não ocupava mais posição central na estratégia de vacinação adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda assim, o governo optou pela compra, assumindo o risco de validade reduzida sem garantias contratuais de substituição das doses.
Em resposta, o Ministério da Saúde informou que herdou desafios operacionais da gestão anterior e que seguiu critérios técnicos e recomendações internacionais na condução do processo. A pasta também atribuiu parte do desperdício à queda na adesão da população às campanhas de vacinação naquele período.
O caso segue sob análise do TCU, que ainda apura possíveis responsabilidades administrativas. O tribunal ressalta que o prejuízo não decorre de um único fator, mas de uma combinação de falhas na gestão, planejamento e execução da política pública de imunização.
Da redação Mídia News





