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Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua e aumenta pressão por reação de Lula

Líder nicaraguense afirma que não haverá novos processos eleitorais no país; decisão aprofunda isolamento do regime e coloca governos aliados sob pressão internacional

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não realizará mais eleições, aprofundando o caráter autoritário de seu governo e provocando novas críticas internacionais. A declaração representa uma ruptura ainda mais explícita com os princípios democráticos e coloca sob pressão governos latino-americanos que mantiveram relações políticas ou diplomáticas com o regime sandinista.

Durante discurso realizado em comemoração ao aniversário da Revolução Sandinista, Ortega afirmou que não haverá novos processos eleitorais que possam permitir à oposição chegar ao poder. Segundo o líder nicaraguense, novas medidas legais deverão ser adotadas com apoio da Assembleia Nacional para impedir que grupos classificados pelo governo como adversários ou “golpistas” assumam o comando do país.

A declaração foi confirmada por diferentes veículos internacionais. A Reuters informou que Ortega anunciou que a Nicarágua deixará de realizar eleições, enquanto os Estados Unidos reagiram nesta terça-feira (21), defendendo maior isolamento internacional do governo nicaraguense.

Ortega permanece no poder de forma ininterrupta desde 2007 e já havia ampliado significativamente sua autoridade por meio de mudanças constitucionais. Em janeiro de 2025, reformas aprovadas pelo Parlamento aumentaram os poderes da Presidência, ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos e consolidaram Rosario Murillo, esposa de Ortega, como copresidente.

A situação também aumenta a cobrança sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula já manteve proximidade histórica com Ortega, embora a relação diplomática entre Brasil e Nicarágua tenha enfrentado forte desgaste nos últimos anos. Em agosto de 2024, por exemplo, o governo nicaraguense expulsou o embaixador brasileiro em Manágua, e o Brasil respondeu retirando a representante da Nicarágua em Brasília.

Até o momento das fontes consultadas para esta matéria, não foi localizada uma manifestação pública recente de Lula especificamente sobre a declaração de Ortega de que não haverá mais eleições. Por isso, afirmar que existe um “silêncio cúmplice” extrapola o campo factual e representa uma avaliação política. O fato verificável é que o anúncio de Ortega aprofunda a deterioração democrática na Nicarágua e amplia a pressão para que governos da região se posicionem.

Organismos internacionais já vinham alertando para a situação nicaraguense. Especialistas das Nações Unidas apontaram anteriormente a existência de um sistema de repressão coordenado, com concentração de poderes e perseguição de opositores.

A nova declaração de Ortega praticamente elimina a perspectiva de alternância de poder pelas urnas e reforça as críticas de que a Nicarágua caminha para a institucionalização definitiva de um regime sem competição eleitoral efetiva.

Da redação Mídia News

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