OAB firma convênio com empresa ligada a condenado por crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro
Forlex, responsável por ferramenta de inteligência artificial voltada a advogados, tem como sócio-administrador empresário condenado a 390 anos de prisão; entidade afirma que não compartilha dados com a empresa

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) firmou convênio com a empresa de tecnologia Forlex, que possui como sócio-administrador Daniel Augustus Bichuetti Silva, condenado pela Justiça Federal a uma pena de 390 anos de prisão por crimes relacionados a ataques cibernéticos, roubo de dados, desenvolvimento de programas maliciosos e lavagem de dinheiro. A condenação ocorreu em 2024, em processo conduzido pela 11ª Vara Federal Criminal de Goiás, com investigação que contou com apoio internacional.
O acordo entre a entidade e a empresa tem como objetivo disponibilizar aos advogados uma ferramenta tecnológica voltada à análise de documentos produzidos com auxílio de inteligência artificial. O serviço, chamado OpenDetector, foi apresentado como uma solução para identificar possíveis comandos ocultos ou manipulações em arquivos digitais utilizados no ambiente jurídico.
A parceria gerou questionamentos devido ao vínculo societário da Forlex com um empresário condenado por crimes digitais. Segundo informações divulgadas, a condenação envolve acusações relacionadas à invasão de dispositivos eletrônicos, obtenção indevida de dados bancários e utilização de recursos obtidos ilegalmente para ocultação de valores.
Em manifestação sobre o caso, a OAB informou que o convênio não envolve compartilhamento da base de dados da advocacia com a empresa contratada e que a parceria não representa custos para a instituição. A entidade também destacou que a ferramenta é disponibilizada como recurso tecnológico aos profissionais inscritos.
A Forlex, por sua vez, afirmou que os fatos relacionados à condenação ocorreram há mais de uma década e que não possuem relação com as atividades atuais da empresa.
O caso passou a receber atenção pública por envolver uma instituição representativa da advocacia nacional e uma empresa de tecnologia com atuação na área de inteligência artificial. Especialistas avaliam que situações envolvendo fornecedores de serviços digitais exigem atenção a critérios de segurança, transparência e análise de antecedentes dos responsáveis pelas plataformas utilizadas por profissionais e instituições.
Até o momento, não há informação de que o convênio entre a OAB e a Forlex tenha sido suspenso ou cancelado. O debate permanece concentrado na compatibilidade entre a contratação de serviços tecnológicos e o histórico judicial de integrantes da empresa fornecedora.
Da redação Midia News

