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PF aponta discussão sobre blindagem de dinheiro no exterior em investigação envolvendo Lulinha

Mensagens analisadas pela Polícia Federal citam abertura de empresa em Liechtenstein e contas na Suíça; investigadores apuram suspeita de tentativa de proteger recursos fora do Brasil

A Polícia Federal identificou, em mensagens apreendidas durante investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, discussões sobre a possibilidade de manter recursos e estruturas empresariais fora do Brasil. Entre os destinos mencionados aparecem Liechtenstein e Suíça, países historicamente conhecidos por suas estruturas financeiras voltadas a clientes internacionais.

As informações foram reveladas inicialmente pela revista Veja, que teve acesso aos inquéritos. Segundo a publicação, os investigadores encontraram conversas nas quais Roberta discutia alternativas para abertura de empresas e contas bancárias no exterior.

Em uma das mensagens analisadas pela PF, de fevereiro de 2024, Roberta teria orientado Gustavo Gaspar — apontado como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” — sobre a abertura de uma empresa em Liechtenstein. Ela também teria apresentado opções de instituições financeiras localizadas na Suíça.

A atenção dos investigadores foi despertada principalmente por uma afirmação atribuída à lobista de que seria difícil bloquear recursos depositados em Liechtenstein. Diante do conteúdo das mensagens, a PF registrou a hipótese de que pudesse existir interesse em uma eventual blindagem patrimonial, possibilidade que passou a integrar a análise policial.

As apurações não significam, porém, que tenha sido comprovada a transferência de dinheiro ilícito para esses países. O material integra investigações mais amplas sobre suspeitas de tráfico de influência e outras possíveis irregularidades envolvendo negócios e contatos com órgãos do governo federal.

Lulinha está no centro de três inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência. A PF também apontou que ele seria beneficiário indireto de articulações conduzidas por Roberta Luchsinger e identificou o que classificou como uma “comunhão de interesses econômicos” entre os investigados.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega irregularidades e tem criticado a divulgação de informações de investigações que tramitam sob sigilo. Os advogados afirmam que os vazamentos seriam seletivos e teriam finalidade política. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou inclusive que a PF investigue o vazamento de informações sigilosas dos inquéritos.

Neste domingo (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não interfere no trabalho da Polícia Federal e declarou que o filho deverá responder e se defender das acusações. Lula disse ainda que ninguém deve estar acima da lei.

Da redação Mídia News Campo Grande

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