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Inadimplência do agronegócio na Caixa triplica em um ano e ultrapassa 20%

Índice de atrasos acima de 90 dias saltou de 7,02% para 20,74%; executivos do banco afirmam que curva começa a perder força e apostam em renegociação de dívidas

A inadimplência na carteira de crédito destinada ao agronegócio da Caixa Econômica Federal registrou forte avanço e alcançou 20,74% no segundo trimestre de 2026, considerando operações com atraso superior a 90 dias. Há um ano, o indicador estava em 7,02%, o que significa que a taxa praticamente triplicou no período.

Na comparação mais recente, o índice também continuou avançando. No primeiro trimestre deste ano, a inadimplência do setor estava em 18,29%. O aumento foi, portanto, de 2,45 pontos percentuais entre março e junho. Em 12 meses, a elevação chegou a 13,72 pontos percentuais.

Apesar dos números elevados, executivos da Caixa afirmam que há sinais de estabilização. O vice-presidente de Finanças e Controladoria da instituição, Marcos Brasiliano, disse durante a apresentação do balanço que o banco identifica uma perda de velocidade no crescimento dos atrasos.

Segundo os dados divulgados, a carteira de crédito da Caixa destinada ao agronegócio encerrou junho em aproximadamente R$ 62,3 bilhões, crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025. O volume classificado como ativo problemático no setor, entretanto, aumentou significativamente, passando de cerca de R$ 6 bilhões para R$ 17 bilhões em um ano.

A instituição espera que programas de renegociação contribuam para reduzir a pressão sobre os produtores. Entre as medidas citadas está a MP 1.376, que autorizou linhas especiais para reestruturação de dívidas rurais de produtores e cooperativas afetados por eventos climáticos ou perdas de mercado em duas ou mais safras entre 2019 e 2025.

O avanço da inadimplência rural ocorre em um momento de deterioração mais ampla dos indicadores de crédito da Caixa. O índice geral de operações com atraso superior a 90 dias chegou a 3,64%, contra 2,66% no mesmo período do ano passado. Ainda assim, o percentual permanece muito abaixo dos 20,74% registrados especificamente no agronegócio.

A maior exposição ao risco também levou a instituição a ampliar as provisões para possíveis perdas. No segundo trimestre, essas despesas chegaram a aproximadamente R$ 7 bilhões, avanço de 97,6% na comparação anual.

Mesmo diante do aumento da inadimplência, a Caixa encerrou o segundo trimestre com R$ 1,448 trilhão em carteira total de crédito, expansão de 11,9% em 12 meses. O lucro líquido recorrente atingiu R$ 3,9 bilhões, crescimento de 5,9% sobre igual período de 2025.

Da redação Mídia News Campo Grande

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