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Distratos de imóveis passam de R$ 2 bilhões e acendem alerta no mercado imobiliário

Cancelamentos de contratos de dez incorporadoras cresceram 27,7% no primeiro semestre de 2026; juros elevados, endividamento e dificuldades de crédito estão entre os fatores

O mercado imobiliário brasileiro registrou forte crescimento no volume de distratos no primeiro semestre de 2026. Levantamento envolvendo dez incorporadoras de capital aberto mostra que os contratos cancelados somaram R$ 2,167 bilhões entre janeiro e junho, avanço de 27,7% em relação aos R$ 1,697 bilhão registrados no mesmo período de 2025.

Na comparação anual, aproximadamente R$ 470 milhões a mais em negócios foram desfeitos. O distrato ocorre quando um imóvel anteriormente vendido tem o contrato cancelado, podendo fazer com que a unidade retorne ao estoque da incorporadora.

Entre as empresas analisadas, a Direcional apresentou o maior volume financeiro de distratos, chegando a R$ 635,8 milhões, alta de 69,5%. A Tenda contabilizou R$ 340,4 milhões em cancelamentos, parte relacionada a um empreendimento afetado por questões ambientais. Lavvi e Direcional aparecem entre as companhias com maiores crescimentos percentuais dos distratos, enquanto Tecnisa e Moura Dubeux apresentaram redução.

Juros elevados pressionam compradores

O cenário de crédito caro é um dos elementos que pressionam o setor. A Selic está em 14% ao ano, aumentando o custo dos financiamentos e dificultando a conclusão da compra para famílias que dependem de crédito bancário, principalmente na etapa de entrega do imóvel. Endividamento dos compradores e alterações em programas habitacionais também aparecem entre os motivos para os cancelamentos.

Apesar do aumento dos distratos, os indicadores mostram que o mercado imobiliário não está em retração generalizada. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas no primeiro semestre, crescimento de 5,4% sobre igual período de 2025.

O financiamento também avançou. Apenas nas operações do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinadas à aquisição de imóveis, as concessões alcançaram R$ 67,2 bilhões, crescimento de 12% na comparação anual.

Os números revelam, portanto, um mercado dividido: enquanto vendas e concessões de crédito continuam avançando, uma parcela dos compradores encontra dificuldades para manter os compromissos assumidos. Para as incorporadoras, o aumento dos distratos também merece atenção porque interrompe fluxos de recebimento e pode devolver unidades anteriormente comercializadas aos estoques.

Da redação Mídia News Campo Grande

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