
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (17) que as chamadas “canetas emagrecedoras” sejam oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com obesidade. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o governo federal formalizou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, em meio à reta final da campanha presidencial de 2026.
Os anúncios ocorrem a 17 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, enquanto levantamentos eleitorais apontam uma disputa apertada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta mostra Lula com 39% e Flávio com 36% no primeiro turno, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em eventual segundo turno, o levantamento registra 46% para Lula e 44% para Flávio, também caracterizando empate técnico.
Canetas pelo SUS
Durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais, Lula afirmou que os medicamentos para tratamento da obesidade deverão ser disponibilizados gratuitamente pelo SUS, mediante acompanhamento médico.
O presidente, porém, não informou qual medicamento seria incorporado, quando a distribuição começaria, quais seriam exatamente os critérios clínicos para acesso ou qual seria o impacto financeiro da medida. Por isso, neste momento, trata-se de um anúncio de intenção, ainda sem detalhamento operacional divulgado.
Lula também defendeu que o uso desse tipo de medicamento seja acompanhado de orientação profissional, reeducação alimentar e exercícios físicos, além de criticar prescrições indiscriminadas.
Bolsa Família sobe para R$ 691
Também nesta quinta-feira, Lula assinou decreto reajustando em 15,04% os valores do Bolsa Família. O benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores terão efeitos financeiros a partir de outubro.
Segundo o governo, o percentual corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 e tem como objetivo recompor o poder de compra dos beneficiários. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
O calendário de outubro começa no dia 19, portanto depois do primeiro turno e antes de eventual segundo turno.
Medidas entram no centro da disputa eleitoral
A proximidade dos anúncios com a eleição passou a integrar o debate político. Parlamentares de oposição questionaram o reajuste do Bolsa Família na Justiça Eleitoral. Uma ação apresentada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC) foi rejeitada pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, por questão processual relacionada à legitimidade do parlamentar para propor a medida.
O governo, por sua vez, sustenta que o reajuste corresponde à reposição da inflação prevista na legislação do programa e afirma que a despesa será acomodada dentro das regras fiscais e do Orçamento.
Com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em pesquisas recentes, tanto o calendário quanto os efeitos sociais e fiscais das medidas devem permanecer no debate da campanha presidencial nas próximas semanas.
Da redação Mídia News Campo Grande





