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A picanha não veio e Lula já promete a caneta emagrecedora pelo SUS

Presidente anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família e defende oferta gratuita de medicamentos contra obesidade em meio à disputa apertada com Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou nesta quinta-feira (17) mais duas medidas sociais no centro do debate eleitoral: o reajuste de 15,04% do Bolsa Família e a futura oferta gratuita das chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os anúncios ocorrem a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais e em um cenário de disputa apertada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 36%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o instituto caracteriza o cenário como empate técnico. Em eventual segundo turno, Lula aparece com 46% e Flávio com 44%, também dentro da margem de erro.

Bolsa Família passa de R$ 600 para R$ 691

O governo anunciou reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. O benefício mínimo por família passará dos atuais R$ 600 para R$ 691, enquanto o pagamento médio deverá subir de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.

Segundo o governo, o aumento corresponde à reposição da inflação acumulada pelo INPC desde 2023. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. Os novos valores começam a ser pagos em outubro.

A proximidade das eleições colocou a medida no centro da disputa política. Flávio Bolsonaro questionou o reajuste e seus aliados levantaram dúvidas sobre a legalidade eleitoral da mudança. O governo, por outro lado, sustenta que se trata de recomposição inflacionária autorizada pela legislação do programa.

Canetas emagrecedoras entram no debate

No mesmo dia, durante agenda em Minas Gerais, Lula afirmou que as chamadas canetas emagrecedoras deverão ser disponibilizadas gratuitamente pelo SUS para pacientes com obesidade.

A medida, entretanto, ainda não significa distribuição imediata dos medicamentos. O Ministério da Saúde informou que realiza estudos para avaliar a incorporação e que eventual oferta será baseada em critérios médicos e em protocolo clínico específico.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a disponibilização deverá ocorrer de maneira responsável. A pasta também trabalha para ampliar a produção nacional dos medicamentos utilizados contra a obesidade.

Promessas entram no centro da campanha

A coincidência dos anúncios com a reta final da campanha deve manter o tema no debate eleitoral. Adversários do presidente questionam o momento escolhido para ampliar benefícios sociais, enquanto o governo argumenta que as medidas fazem parte de políticas públicas destinadas à recomposição da renda e à ampliação do atendimento de saúde.

A promessa das canetas emagrecedoras também recupera, no debate político, a conhecida referência à “picanha”, expressão que marcou a campanha presidencial de Lula em 2022 ao falar sobre recuperação do poder de compra das famílias.

Com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em levantamentos recentes, políticas de renda, custo de vida, saúde pública e gastos federais tendem a permanecer entre os principais temas da reta final até o primeiro turno.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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