
O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teriam protagonizado uma discussão com troca de xingamentos dentro do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. O episódio ocorreu no dia 4 de setembro e foi revelado nesta quarta-feira (23) pela colunista Marcela Mattos, do UOL.
Segundo a apuração, Messias suspeitava que estivesse sendo monitorado pela estrutura de inteligência da Polícia Federal. Ao encontrar Andrei no gabinete presidencial, teria questionado diretamente o chefe da PF sobre a existência de vigilância contra ele e sobre um possível monitoramento de seu telefone.
A conversa teria rapidamente subido de tom. Pessoas que tiveram conhecimento do encontro descreveram o diálogo, acompanhado por Lula, como “duro”, “tenso” e “ríspido”.
Andrei negou espionagem
Durante o confronto, Andrei Rodrigues negou que a Polícia Federal estivesse monitorando Jorge Messias.
Segundo o relato publicado pelo UOL, o diretor-geral também teria reagido em tom elevado. Posteriormente, pessoas próximas a Andrei relataram que ele classificou a reação de Messias como um “chilique”.
Messias, entretanto, teria permanecido desconfiado e alertado que o diretor-geral poderia ser formalmente responsabilizado caso fossem constatadas irregularidades.
Relatório aumentou desconfiança
A discussão ocorreu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de um relatório de inteligência da PF relacionado às investigações do Banco Master.
Segundo a reportagem do UOL, um trecho do documento mencionava a possibilidade de “monitoramento e coleta dirigida”. A referência contribuiu para aumentar a suspeita de Messias de que poderia estar sendo acompanhado pela inteligência da corporação.
As divergências, porém, já vinham de julho. Naquele mês, Andrei Rodrigues encaminhou um ofício sigiloso à AGU pedindo análise sobre possíveis providências contra uma decisão do ministro André Mendonça relacionada ao caso Master. A AGU concluiu que não havia medida judicial cabível naquele contexto.
Crise teve novo capítulo quatro dias depois
Quatro dias após o encontro no gabinete presidencial, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.
Mendonça sustentou na decisão que ele próprio e Jorge Messias teriam sido submetidos a monitoramento irregular pela inteligência da corporação. Andrei contestou essa interpretação e negou a existência de espionagem.
O afastamento acabou provocando outra divergência. A AGU apresentou medida para suspender a decisão de Mendonça, enquanto Andrei optou por constituir defesa particular.
Messias contesta relato sobre o encontro
Após a publicação da reportagem, Jorge Messias afirmou que as informações divulgadas “não são precisas” e ressaltou que mantém respeito pessoal e institucional pelo diretor-geral da Polícia Federal. O UOL informou que mantém sua apuração.
A Agência Pública também procurou a AGU e recebeu posicionamento semelhante. A Polícia Federal não havia respondido à publicação da Agência até a divulgação da reportagem.
O episódio acrescenta mais um capítulo à crise institucional surgida em torno das investigações do Banco Master, envolvendo a Polícia Federal, a Advocacia-Geral da União e ministros do Supremo Tribunal Federal.
Da redação Midia News Campo Grande





