O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta sexta-feira (2) um duro editorial contra decisões dos ministros Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionadas ao debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º).
Na avaliação apresentada pelo Estadão, as decisões judiciais modificaram regras previamente estabelecidas para o encontro e teriam favorecido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
O debate acabou cancelado pela emissora em meio às decisões judiciais de última hora.
Púlpito vazio de Lula
Um dos principais pontos questionados pelo editorial foi a decisão de Estela Aranha sobre a ausência de Lula.
A ministra atendeu a um pedido da campanha petista e proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio destinado ao presidente e de permitir que outros candidatos dirigissem perguntas diretamente ao candidato ausente.
Segundo o Estadão, o regulamento anteriormente acertado entre as campanhas previa essas possibilidades. Por isso, o jornal afirmou que Estela teria “rasgado” um regulamento com o qual os participantes haviam concordado.
A decisão, porém, não proibia que Lula fosse mencionado pelos demais candidatos. A restrição atingia a exibição do púlpito vazio e perguntas direcionadas ao candidato ausente.
Decisão de Gilmar também é criticada
O editorial também direcionou críticas a Gilmar Mendes por sua decisão de garantir a participação de Renan Santos, do Missão, no debate.
O candidato não havia sido convidado pela Globo e sua participação já havia sido objeto de outras decisões judiciais. Gilmar posteriormente determinou sua inclusão no encontro.
Na interpretação do Estadão, as duas intervenções alteraram substancialmente o formato planejado pela emissora e contribuíram para inviabilizar o debate.
Editorial fala em favorecimento
Em seu posicionamento editorial, o Estadão foi além da crítica jurídica e atribuiu às decisões um favorecimento eleitoral a Lula. Trata-se de uma avaliação do próprio jornal, e não de uma conclusão judicial estabelecida.
As decisões também receberam interpretações diferentes. Nesta sexta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, saiu em defesa de Estela Aranha e afirmou que as decisões judiciais envolvendo as regras dos debates são legítimas, assim como considera legítimas as divergências sobre seu conteúdo.
A controvérsia ocorre na reta final da campanha presidencial, a poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4).
Da redação Mídia News Campo Grande





