
No Pantanal, a bostologia é uma ciencia empírica de fácil explicação aos neófitos: Examinem as implicações da bosta de bugio, embaixo de frondosa figueira.
O bugio sobe na árvore, come, dorme, faz algazarra e caga lá de cima. A bosta vai se acumulando no chão. E, depois de algum tempo, debaixo daquela árvore, nada nasce.
A imagem serve para pantaneiros analisarem a política brasileira.
Pense numa figueira pantaneira: grande, antiga, de copa larga. Dá sombra. Dá abrigo. Tem galhos onde muita gente se pendura há décadas.
Mas há uma diferença importante: É tempo dessa figueira deixar de produzir os figos doces que alimentam quem passa. Tornou-se uma figueira envelhecida e estéril, só dá sombra. E sombra pode ser confortável. Pode até dar a impressão de proteção. Mas sombra não alimenta.
Depois de tantos anos, a figueira está morrrendo.
Seus galhos ainda estão lá. Alguns ainda sustentam muitos bugios. Ainda existe sombra. Ainda existe gente que prefere permanecer agarrada à árvore conhecida a procurar outra.
Mas tornou-se uma árvore sem frutos. E talvez esse seja o ponto mais importante da eleição de ontem.
Enquanto muitos dos velhos bugios ficaram pelo caminho — Novas árvores começam a aparecer em volta.
Alguns passaram até dos três milhões de votos. Novas árvores querem vicejar na Praça dos 3 Poderes.
A questão, porém, não deveria interessar somente aos vencedores… Deveria interessar também aos perdedores.
Porque talvez a maior tragédia do campo derrotado seja justamente ter se transformado numa sombra tão grande que nada mais conseguiu vicejar sob ela.
Talvez, os vencedores também possam aprender a seguir a rota sustentável que a beleza do Pantanal a todos demonstra: – Deixar cair velhas árvores possibilitam que a luz penetrando tragam a natural e evolutiva renovação.
A realidade de tal alternância natural entre umidade e seca, sombra e luz impõe incomoda pergunta aos acomodados : Será possível continuar defendendo uma árvore que já não produz frutos ou sombra?
No Pantanal, quando uma árvore morre, não adianta fingir que ela está viva, só porque, talvez, ainda existem alguns bugios aferrados aos galhos.
Uma hora é preciso reconhecer a morte. Para que possam vicejar outras vidas…
A ciência empírica da bostologia pantaneira nos ensina que, quando a bosta de bugio já tomou conta do chão, é hora de parar de olhar para a copa, e começar a umedecer o chão para acelerar a compostagem gerando uma boa adubação natural e orgânica.
O Pantanal e os pantaneiros continuam a expor que alternância das inconstâncias e a única constância, que traz consigo a semente para celebração da imposição da alternância natural onde a morte celebra a vida e vice versa, realidade atávica do mundo rural que os urbanos custam assimilar: -O auge da seca precede a enchente, o zero do frio esconde o calor escaldante, da morte decomposição a metamorfose criadora para a renovação da beleza e da vida .
Armando Arruda Lacerda
Porto São Pedro
Curtindo o vice versa do El Niño no La Niña
05/10/2026




