
O resultado do primeiro turno da eleição presidencial abriu uma crise interna na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lideranças petistas passaram a responsabilizar o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, por parte dos erros que teriam contribuído para o desempenho abaixo do esperado nas urnas.
Lula avançou ao segundo turno, mas terminou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), resultado que contrariou as expectativas de integrantes da campanha e provocou uma revisão da estratégia para a disputa decisiva.
Campanha teria ficado distante das ruas
Entre as principais críticas feitas nos bastidores está a avaliação de que a comunicação da campanha teria se afastado dos problemas mais imediatos enfrentados pela população.
Dirigentes petistas consideram que assuntos como soberania nacional e terras raras receberam espaço excessivo, enquanto questões diretamente relacionadas ao cotidiano dos brasileiros, como preço dos alimentos, salário, emprego, saúde e custo de vida, deveriam ter ocupado posição central na propaganda.
A condução da campanha também é criticada por integrantes do partido, que apontam improvisação e dificuldades de coordenação entre diferentes núcleos responsáveis pela comunicação.
Sidônio entra no centro das críticas
Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secom e um dos principais estrategistas da comunicação de Lula, passou a concentrar parte das cobranças depois da votação de domingo.
Outro ponto questionado internamente é a estratégia adotada nas redes sociais. A avaliação de setores do PT é de que a campanha de Lula não conseguiu acompanhar o avanço de Flávio Bolsonaro no ambiente digital nem transformar ações do governo em mensagens capazes de alcançar diferentes segmentos do eleitorado.
Também há críticas sobre decisões tomadas durante a reta final da campanha, incluindo a condução do debate envolvendo as plataformas de apostas online.
Quaquá já havia feito críticas
A insatisfação com a comunicação não surgiu apenas depois das urnas. O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, já havia criticado publicamente a estratégia.
Quaquá defendia que Lula falasse menos sobre temas considerados distantes do cotidiano e concentrasse sua mensagem em emprego, renda, alimentação, saúde, educação e nas realizações do governo.
O dirigente chegou a comparar as estratégias dos dois candidatos, observando que Flávio Bolsonaro aparecia em ambientes como supermercados para discutir problemas cotidianos enquanto a campanha petista abordava assuntos como terras raras.
Ordem agora é mudar
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha trabalha para promover mudanças significativas.
Lula participou nesta segunda-feira (5) de reuniões com coordenadores e aliados para discutir os próximos passos. A orientação é ampliar a comunicação com jovens, mulheres e eleitores de centro, além de reforçar a participação de partidos aliados na coordenação.
A campanha também deverá adotar uma postura mais direta no confronto com Flávio Bolsonaro e buscar recuperar votos principalmente nas regiões onde o desempenho do presidente ficou abaixo das expectativas.
Apesar das críticas dirigidas a Sidônio, o movimento até agora aponta mais para uma reformulação da estratégia do que para uma simples troca de nomes.
Com menos de três semanas até a votação decisiva, o PT entra no segundo turno pressionado a corrigir os erros identificados internamente e encontrar uma mensagem capaz de reduzir a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Da redação Mídia News Campo Grande





