
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) está avançando na organização dos cuidados paliativos na rede pública, com o objetivo de garantir mais conforto, dignidade e qualidade de vida às pessoas que enfrentam doenças graves ou condições crônicas que ameaçam a vida.
A iniciativa inclui a criação do Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, responsável por coordenar a implantação da Política Nacional de Cuidados Paliativos no Estado e desenvolver estratégias para ampliar o acesso ao atendimento especializado.
Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, os cuidados paliativos não são destinados exclusivamente a pacientes em fase terminal. O acompanhamento pode começar desde o diagnóstico e ocorrer simultaneamente aos tratamentos destinados ao controle ou à cura da doença.
A assistência envolve controle da dor, alívio de sintomas, apoio psicológico, acolhimento familiar e atenção às necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais.
Atendimento especializado será ampliado no Estado
Atualmente, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande, conta com uma equipe especializada que acompanha pacientes internados.
Segundo a médica paliativista Fernanda Romeiro, integrante do Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, o planejamento prevê a expansão gradual da assistência para outras regiões.
“A proposta é começar pelas macrorregiões de saúde e, posteriormente, avançar para um processo de matriciamento, levando conhecimento e suporte aos profissionais que atuam no interior, principalmente por meio da telemedicina”, explica.
O matriciamento permite que especialistas orientem equipes de saúde que atendem diretamente os pacientes, contribuindo para melhorar a qualidade da assistência mesmo em municípios que ainda não possuem profissionais especializados.
Núcleo estadual fortalece integração dos serviços
Vinculado ao Gabinete da SES, o novo núcleo reúne diferentes setores da saúde pública, incluindo atenção primária, assistência hospitalar, regulação, assistência farmacêutica, educação em saúde e saúde digital.
Entre as prioridades estão a capacitação dos profissionais, a organização dos fluxos de atendimento, a melhoria do acesso a medicamentos e o fortalecimento da assistência domiciliar.
Também está em avaliação a implantação de núcleos especializados nos principais hospitais estaduais.
A estratégia pretende integrar unidades básicas de saúde, hospitais e serviços de atendimento domiciliar, garantindo continuidade no acompanhamento dos pacientes.
Cuidados paliativos não significam desistir do tratamento
Um dos principais desafios é combater a ideia equivocada de que os cuidados paliativos representam o fim das possibilidades terapêuticas.
“Os cuidados paliativos são uma abordagem que pode e deve ser ofertada em todos os níveis de atenção à saúde. Isso inclui a atenção básica, o serviço de atenção domiciliar e todos os demais pontos de atenção da rede”, destaca Fernanda Romeiro.
A médica ressalta que o acompanhamento precoce permite estabelecer vínculos de confiança, compreender as necessidades individuais e proporcionar mais segurança aos pacientes e familiares.
Os cuidados paliativos podem ser realizados juntamente com quimioterapia, radioterapia, cirurgias e outras intervenções, conforme a indicação médica.
Humanização e apoio às famílias são prioridades
Além do atendimento clínico, a proposta da SES considera o impacto emocional e social provocado pelas doenças graves.
Familiares e cuidadores também podem receber orientação e apoio para enfrentar as dificuldades relacionadas ao tratamento e às mudanças na rotina.
A assistência humanizada busca preservar a autonomia do paciente, respeitar suas escolhas e garantir que suas necessidades sejam consideradas nas decisões sobre o tratamento.
Com a implantação do Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, Mato Grosso do Sul pretende fortalecer uma rede de atendimento mais integrada, acessível e preparada para oferecer acolhimento em diferentes etapas da doença.
A expectativa é ampliar gradualmente a assistência para o interior, qualificar os profissionais do SUS e assegurar que mais pacientes e familiares tenham acesso a cuidados voltados ao alívio do sofrimento e à qualidade de vida.
Da redação Mídia News Campo Grande





