
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avaliou que o favoritismo para o segundo turno da eleição presidencial está, neste momento, no campo bolsonarista. Em entrevista ao programa Bastidores CNN, ele afirmou que os números deixados pelas urnas no primeiro turno impõem um desafio considerável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante de Flávio Bolsonaro (PL).
Flávio terminou o primeiro turno com aproximadamente 2,2 milhões de votos de vantagem sobre Lula. Para Tokarski, o resultado coloca o candidato do PL em posição mais confortável para a etapa decisiva da disputa presidencial.
Ao analisar o histórico das eleições brasileiras, o CEO da Nexus lembrou que nunca ocorreu uma virada entre primeiro e segundo turnos em uma eleição presidencial no país. Foi nesse contexto que classificou os números como “bastante cruéis” para Lula.
Comparação com a eleição de 2022
Tokarski usou a eleição presidencial de 2022 para dimensionar o tamanho do desafio. Naquele pleito, Lula terminou o primeiro turno com vantagem de aproximadamente 6,1 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro.
No segundo turno, porém, Bolsonaro conseguiu reduzir essa distância em cerca de 4 milhões de votos, e Lula venceu com uma diferença próxima de 2,1 milhões.
Segundo a avaliação do executivo, se Lula conseguir agora uma recuperação semelhante à obtida por Bolsonaro entre os dois turnos de 2022, teria condições matemáticas de superar Flávio.
A diferença, entretanto, é que o presidente começa a nova etapa atrás nas urnas.
Terceira via entra na disputa pelos votos
Outro fator considerado decisivo são os aproximadamente 8,8 milhões de votos destinados no primeiro turno a candidatos fora da polarização entre Lula e Flávio.
Para Tokarski, ainda não está definido como esse eleitorado se comportará no segundo turno. A migração desses votos poderá ser determinante para estabelecer o vencedor da eleição.
O executivo também chamou atenção para a abstenção. Ele avalia que a ausência às urnas atingiu com maior intensidade segmentos nos quais Lula tradicionalmente apresenta desempenho mais favorável, especialmente eleitores de menor renda, menor escolaridade e faixas etárias mais elevadas.
No segundo turno, a mobilização desse eleitorado será uma das principais missões da campanha petista.
Sudeste deve continuar no centro da batalha
Tokarski também destacou a importância do Sudeste. Flávio Bolsonaro ampliou sua vantagem em estados estratégicos da região, aumentando a pressão sobre a campanha de Lula.
Na avaliação do CEO da Nexus, declarações de apoio de lideranças partidárias podem ajudar, mas não necessariamente provocam uma transferência automática de votos. O comportamento individual dos eleitores será mais importante do que simplesmente somar os apoios recebidos pelos candidatos.
Para Flávio Bolsonaro, uma das principais estratégias deverá ser evitar erros durante a campanha. Lula, por sua vez, precisa ampliar sua votação em ritmo superior ao crescimento do adversário e recuperar a diferença registrada no primeiro turno.
Diante desse cenário, Tokarski considera que a vantagem inicial está com o candidato do PL, embora a disputa permaneça aberta até a votação do segundo turno.
Da redação Mídia News Campo Grande





