Criatividade de ambulantes vira arte em exposição fotográfica no RioCriatividade de ambulantes vira arte em exposição fotográfica no Rio
Mostra “Não Somos Mula”, do fotógrafo Rogério Reis, reúne cerca de 120 imagens e projeções que revelam a inventividade dos trabalhadores das praias cariocas

A criatividade, a resistência e as soluções improvisadas encontradas diariamente pelos vendedores ambulantes das praias do Rio de Janeiro ganharam espaço em uma exposição fotográfica no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no centro da capital fluminense. A mostra “Não Somos Mula”, do premiado fotógrafo Rogério Reis, reúne cerca de 120 fotografias, grande parte delas apresentada ao público pela primeira vez.
O trabalho transforma cenas comuns da orla carioca em registros que destacam a capacidade de adaptação dos ambulantes. Carrinhos, caixas térmicas, guarda-sóis, recipientes e suportes improvisados usados para transportar e expor mercadorias aparecem nas fotografias como elementos que lembram esculturas e instalações artísticas.
As imagens e projeções são resultado das caminhadas de Rogério Reis pelas praias do Rio. Segundo o fotógrafo, o objetivo é apresentar uma visão artística das ferramentas e das chamadas “gambiarras” desenvolvidas pelos trabalhadores para enfrentar a rotina pesada nas areias.
O próprio título da exposição faz referência ao esforço físico dos ambulantes. A expressão “Não Somos Mula” remete à grande quantidade de peso transportada por esses profissionais, como ocorre com os tradicionais vendedores de mate, que circulam pela praia carregando galões da bebida.
Copacabana concentra maioria dos registros
Cerca de 80% das fotografias que integram a exposição foram feitas em Copacabana, uma das praias com maior presença de comércio ambulante no Rio. Os outros 20% dos registros foram produzidos no Arpoador, em Ipanema e no Leblon.
A exposição também ganha uma dimensão social ao ser realizada em um período de debate sobre a situação dos ambulantes na orla carioca. Trabalhadores têm protestado contra o Programa Tolerância Zero, iniciativa da Prefeitura do Rio que ampliou a fiscalização sobre o comércio irregular nas praias.
O Movimento Unido dos Camelôs (Muca) cobra diálogo com o poder público e argumenta que trabalhadores não podem ser tratados como criminosos. O programa também foi questionado pelo Ministério Público Federal, que ajuizou ação civil pública pedindo sua suspensão.
Ao unir fotografia documental e linguagem artística, “Não Somos Mula” coloca em evidência não apenas o esforço físico dos vendedores, mas principalmente a capacidade de improvisação e criatividade de quem transforma objetos simples em instrumentos indispensáveis para garantir o sustento nas praias do Rio.
Da redação Mídia News





