
Durante o programa Última Análise, exibido nesta quinta-feira (5) pela Gazeta do Povo, comentaristas analisaram os desdobramentos da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, com destaque para o pedido de quebra de sigilos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira, que solicitou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do escritório. O foco da investigação é um contrato de R$ 129 milhões firmado com o Banco Master, que, segundo os parlamentares da comissão, levanta suspeitas de possível envolvimento com esquemas de lavagem de dinheiro. Além disso, o relator da CPI defende que Viviane preste depoimento formal ao colegiado.
Ao comentar o caso, o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol afirmou haver “coincidências demais” na relação entre a família do ministro e a instituição financeira investigada. Segundo ele, a fundamentação apresentada pelo senador é consistente e aponta para a existência de redes complexas de crime financeiro, o que, na avaliação do ex-procurador, justifica o aprofundamento das apurações no âmbito da CPI.
Em resposta às investigações e à repercussão do tema, Alexandre de Moraes reagiu publicamente, acusando setores da mídia de dar espaço a narrativas que, segundo ele, distorcem fatos e alimentam tentativas de enfraquecer o Supremo Tribunal Federal. O ministro afirmou que há interesses em descredibilizar a Corte por meio de insinuações e desinformação.
Também presente no debate, o escritor Francisco Escorsim ressaltou que a credibilidade do Judiciário depende não apenas da legalidade dos atos, mas também da percepção pública de integridade. Para ele, a confiança institucional é elemento central para a estabilidade democrática e a segurança jurídica do país.
O programa ainda abordou declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a discussão sobre o fim dos mandatos vitalícios no STF, sugerindo a fixação de prazos para os ministros da Corte. Escorsim avaliou que a fala pode refletir questões pessoais do presidente, ao relembrar decisões judiciais passadas.
Outro ponto debatido foi a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu os chamados “penduricalhos” no serviço público, reforçando o teto constitucional. Dallagnol, contudo, classificou a medida como uma estratégia de “ethics washing”, alegando que ações pontuais não eliminam problemas estruturais do Judiciário.
Transmitido ao vivo pelo YouTube, o Última Análise se propõe a discutir temas sensíveis da política nacional com foco em argumentação e pluralidade de visões, reunindo analistas de diferentes correntes para avaliar os principais acontecimentos do país.
Da redação Mídia News





